• Ariel Farias

SUDESTE ASIÁTICO 7º Dia - Chegando em Chiang Mai (10/11/2016)

Acordamos no trem com a tiazinha que havia nos vendido café da manhã no dia anterior dizendo que o café estava pronto. Tomamos o café e ficamos no resto do caminho apreciando uma paisagem quase que inteiramente de floresta, inclusive com alguns córregos e precipícios no meio de uma mata densa.

Desembarcamos do nosso trem na estação de Chiang Mai lá pelas 9 horas. Apesar do trem ter sido bem confortável, quando descemos parecia que o chão ficava se mexendo, uma sensação bem estranha. Acho que por não estarmos acostumados ao sacolejar do trem.

Desembarcando em Chiang Mai


Ficamos na dúvida entre pegar um Songtaew para o nosso hostel, uma espécie de van vermelha, que você vai na caçamba dela e que é o principal meio de transporte público de Chiang Mai, ou ir a pé, já que o hostel fica a menos de 2 km da estação e pensamos: pô, já andamos tanto nessa viagem, 2 km não é nada para nós. Quando saímos da estação, vieram tantos motoristas de Songtaew nos encher o saco que decidimos ir a pé (talvez se eles não fossem tão inconvenientes, teríamos optado pela van).

Songtaew: essa van vermelha aí que é o principal transporte público de Chiang Mai

Seguimos a pé então e o bom é que aí já passamos no centro de informações turísticas de Chiang Mai, que fica no meio do caminho, pedir umas informações de como chegar a alguns lugares usando transporte público, entre eles o San Kamphaeng Hot Springs, um parque com gêiseres e águas termais que queríamos muito conhecer. Os centros de informações turísticas das cidades sempre são lugares de ótimo atendimento e que te dão informações muito precisas e sinceras sobre as atrações turísticas e, em Chiang mai, não foi diferente. Fomos muito bem atendidos e nos foi passado realmente as formas mais baratas de se chegar nos lugares que queríamos.

Depois de sair dali, bem próximo, atravessamos uma das pontes que dá acesso à área central da cidade. Ponte esta que passa por cima do Rio Chao Phraya e que depois descobriríamos ser um ponto de encontro de jovens à noite que vão ali curtir, namorar, beber, fumar e apreciar a vista do rio. Também é o local onde os tailandeses vão para fazer suas oferendas durante o festival das lanternas (que estava ocorrendo enquanto estávamos lá), soltando na água barcos feitos com folhas de bananeiras contendo velas, flores e frutas.

Ponte sobre o Rio Chao Phraya

Aqui abro um parenteses para falar sobre este festival tão tradicional:

O Festival das lanternas de Chiang Mai ocorre sempre na semana da Lua cheia do décimo segundo mês do calendário lunar tradicional tailandês, que é sempre em novembro mas sem data fixa. Este festival compreende duas cerimônias, o Loy Khratong e o Yee Peng. A primeira refere-se a soltar no rio os barcos aqueles com oferendas que eu havia comentado. Já a segunda é o espetáculo das lanternas mesmo.

Os tailandeses nesta semana enfeitam suas casas com as lanternas feitas de papel e a noite as soltam no céu, uma cena mágica que você com certeza já deve ter visto em algum lugar (tem em uma das telas de fundo do windows e também no filme da disney da Rapunzel). Também durante essa semana rolam diversas apresentações típicas nas ruas, principalmente na Praça dos três reis, a praça central de Chiang Mai. Não é preciso dizer que neste período a cidade fica infestada de turistas né? Tanto que foi difícil conseguirmos comprar a passagem de trem para lá (tivemos que comprar a passagem para um dia antes do que pretendíamos, e isso com 3 meses de antecedência!).

Devido a morte do rei naquele ano, cogitou-se cancelar o festival. No entanto, devido a imensa procura turística que o mesmo gera (além duma baita grana que a Tailândia perderia com turismo se o cancelassem), foi acordado que os tailandeses poderiam enfeitar suas casas e as ruas com as lanternas, porém sem soltá-las no céu e sem apresentações artísticas. Foi liberado somente a noite da lua cheia mesmo como único dia de soltar as lanternas, que este ano cairia no dia 14 de novembro, justo o dia em que iríamos embora a tarde.

Atravessando a ponte, caminhamos mais duas quadras e chegamos no nosso hostel, o Soi Sabai Guesthouse. Escolhemos este hostel pelo preço (é claro), 16 reais a diária por pessoa, e pelo local, estrategicamente situado no meio do caminho entre a cidade murada e a rua do Nightmarket. O hostel é meio que um restaurante que tem quartos lá no fundo. Ficamos num quarto com 10 pessoas mas era um quarto grande, com os beliches bastante isolados um dos outros. Não tinha ar condicionado, mas em novembro e por Chiang Mai se situar numa região de serra, o ventilador deu conta. Os donos (e funcionários) do hostel eram um casal muito simpático, o Patrick e a Lynn. Ele francês e ela tailandesa (ele foi visitar a Tailândia a anos atrás, se apaixonaram e ele acabou não voltando mais pra França). Ele no começo parecia meio fechado e antipático, mas depois quando tu puxa assunto se percebe que é só impressão mesmo, ambos eram muito legais. O único problema do hostel é que na área da frente do restaurante era permitido fumar, impregnando o salão com aquele cheiro de cigarro. Também a noite nesta mesma área a mosquitada pegava solta, mas daí era só passar aquele repelente básico.

Pois bem, largamos nossas coisas e já fomos caminhar para conhecer a cidade. Fomos em direção à cidade murada, a parte central e histórica de Chiang Mai, conhecida como Old Quarter. Essa zona da cidade é onde se encontra o palácio do governo da região e a praça principal, além de concentrar em seu interior os principais templos da cidade. Em tempos remotos, o Old Quarter era cercado por uma grande muralha, formando um quadrado quase perfeito (olhando no google maps dá pra ver a perfeição), junto com córregos de água artificialmente desviados para acompanhar o muro e dificultar ainda mais as invasões inimigas. A muralha foi praticamente destruída pelas guerras ao longo dos anos, porém há vários pontos ainda conservados, inclusive os quatro portões majestosos que dão acesso ao Old Quarter, um em cada ponto cardeal (norte, sul, leste, oeste), sendo estes também uma atração turística da cidade.

Córrego que circunda o Old Quarter e segmento conservado da Muralha


Fomos direto para o portão principal da cidade, o Tha Pae Gate, que fica no leste e é um dos mais bonitos e conservados dos quatro. É também considerada a porta de entrada do Old Quarter, concentrando um número grande de artistas de rua e barraquinhas de comida, ou seja, onde o pessoal local vai pra tentar ganhar uma graninha dos turistas.

Portão Tha Pae Gate, o principal que dá acesso ao Old Quarter (e posando em sua frente uma princesa tailandesa!)


Dentro do Old Quarter, assim como em toda a Tailândia, existem mais templos budistas do que moradores (exagero, talvez tenha um templo para cada 2 habitantes hehehe) e, assim como Ayutthaya e Bangkok, havíamos pesquisado previamente os que mais nos interessava conhecer. E dentro do Old Quarter eram dois que estavam no nosso roteiro: o Wat Phra Singh, e o Wat Chedi Luang. Este dia não tínhamos nada programado. A ideia era só se acomodar na cidade e dar uma voltinha básica, mas, como não era nem meio-dia ainda e estávamos com aquela adrenalina de chegar num lugar novo e querer conhecer tudo, fomos visitar um dos templos. Assim, adentrando no Old Quarter, fomos em direção ao Wat Phra Singh, que fica bem no final da rua principal, indo sempre reto pelo Tha Pae Gate.

Wat Phra Singh

Pagamos 40 baths a entrada e é um templo bem bonito, além de sediar uma biblioteca que possui obras muito importantes do budismo e uma escola de monges. No templo principal está localizada uma estátua que é considerada uma das mais bonitas de Chiang Mai, a do Buda Leão. Lá dentro aproveitei para tomar um passe (será que assim que chamam?), de um monge budista: ele molhou um pé de arruda em uma água e jogou uns pingos em mim enquanto proclamava uns mantras e depois amarrou uma fitinha no meu braço desejando boa sorte e saúde. Cobrado, é claro.

Estátuas que representam os monges tailandeses que passaram pelo templo; um dos templos do Wat Phra Singh; Estátua do Buda Leão, considerada uma das mais belas e importantes de Chiang Mai.


Num outro templo anexo, havia uns "bonecos de cera" de monges budistas, muito reais (e mórbidos).

Parece de verdade, mas são bonecos de cera!

Estávamos no pátio apreciando o jardim já se preparando para ir embora quando de repente começa a cair uma tromba d´água. Ficamos com receio de deixar nossos passaportes no hostel porque os lockers não pareciam muito confiáveis e ficavam fora do quarto, então os tínhamos trazido com a gente. Assim, mais que preocupados em se molhar, estávamos preocupados em molhar nossos passaportes no bolso. Dessa forma, saímos correndo pela rua tentar achar um lugar para se abrigar. Paramos então num restaurante simplesinho na rua principal e, foi a partir daí que começamos a comer bem na Tailândia! Já eram umas 14h da tarde e, além de pedir uma ceva, aproveitamos para almoçar. A Juju pediu um Tom Yum e eu pedi um Fried Rice with Chicken (arroz frito com frango), comida que depois viraria a minha preferida no país, tudo muito bom e bem servido.

Chuvarada pegando no jardim do templo, paramos para tomar uma Chang e almoçar.


Passada a chuva, voltamos pro hostel para descansar. No caminho observamos mais um pouco a vida em Chiang Mai que, apesar de ser a segunda maior cidade da Tailândia e ser beeeem turística, tem um charme especial de cidade do interior. Uma característica marcante do turismo ali é o turismo sexual. Olhando para dentro dos milhões de "bares" que há pela cidade, o que mais se vê são estrangeiros homens de meia idade, bebendo, fumando ou jogando sinuca acompanhado de uma ou mais mulheres tailandesas (essas em sua maioria bem jovens).

As charmosas ruas de Chiang Mai e o nosso "templo", o 7eleven


Havíamos deixado nossas roupas para lavar no hostel e quando chegamos a Lynn (que além de cozinhar e atender no balcão ainda é a pessoa que lava e passa as roupas) nos comunicou que as roupas estavam prontas. Tinha pedido apenas para lavar e secar, sem passá-las (que era mais caro), mas ela passou do mesmo jeito sem cobrar a mais. Além disso, as roupas ficaram muito cheirosas, foi a lavagem de roupas mais caprichada que fizemos em todas as nossas viagens até hoje (a Lynn é demais).

Ficamos o resto da tarde ali pelo hostel tomando umas Changs. Havia chegado um novo hóspede no nosso quarto, e o cara acho que não lavava os pés a muito tempo. O fedor de chulé impregnou o quarto, e o pior é que o cara não saia do quarto nunca. Só ficava lá na cama dele mexendo no notebook (fazer o que né? Quem fica em hostel tá sujeito a estas coisas).

Estávamos nas mesas lá da frente quando de repente passa um carro com um alto-falante gritando: "Muay Thai Tonight! Muay Thai Tonight!" (bem coisa de cidade do interior mesmo). Fomos conferir e haveria uma luta no ginásio da cidade à noite. Feito! Não iríamos perder a oportunidade de assistir o que é o principal esporte da Tailândia. Compramos nossos ingressos por 400 baths e já tínhamos então programação para a noite.

Flyer da luta de Muay Thai a noite

Chegamos no "estádio" (era mais um galpão mesmo) às 21 horas para assistir as lutas. Compramos o ingresso mais barato mas nem por isso ruim, já que o local é bem roots, praticamente todo só frequentado por turistas. Assim como no boxe ou UFC, há o "card" com várias lutas, de várias modalidades (peso-pena, peso-médio, etc) e o "card principal" da noite seria entre um lutador local e um australiano pela disputa de um cinturão. Se acomodamos, pedimos umas cervejas Tiger e aproveitamos o espetáculo, que é realmente um espetáculo imperdível para quem está na Tailândia!

Apreciando uma Tiger e a porrada comendo solta


Antes das lutas os lutadores fazem tipo umas "dancinhas", que dizem ser um ritual pedindo proteção pra buda. Quando começa a luta, fica uma bandinha com um cara tocando um tambor e outro tocando aquelas flautinhas bem características, muito legal! A medida que o round vai avançando eles começam a tocar mais rápido, "atiçando" os lutadores para buscar a vitória. Entre as lutas ocorrem várias atrações: um espetáculo com espadas, uma luta (coreografada é claro) entre dois espadachins e um momento palhaçada com quatro lutadores tentando lutar vendados entre si. Logo na primeira luta, a peso-pena eu acho, o cara nocauteou o outro com uma joelhada no queijo! Sensacional! Já as outras no decorrer da noite foram bem "burocráticas", inclusive a luta final foi decida por pontos, com a vitória do australiano (quem diria hein?). Depois das lutas ainda forma-se uma fila para tirar foto com os vencedores (claro que aproveitei para tirar uma também né?).

Fotinho com o campeão

Depois de uma noite muito divertida, voltamos para o hostel encarar o chulé do quarto. Antes ainda passamos pelo Tha Pae Gate observá-lo iluminado a noite, que fica muito bonito, ainda mais junto com várias fontes de água que se iluminam ao longo do córrego que circunda o Old Quarter.

Arredores do Tha Pae Gate a noite (sim, nossa câmera é muito ruim para fotos a noite)






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