• Ariel Farias

SUDESTE ASIÁTICO 5º Dia - Visitando o principal cartão postal da Tailândia (08/11/2016)

Atualizado: 14 de Jan de 2020

Último dia em Bangkok, última oportunidade de visitar os principais templos da Tailândia, o Gran Palace e o Wat Pho, que são o equivalente mais ou menos ao Cristo e ao Pão de Açúcar no Rio de Janeiro. Havíamos também reservado um passeio de barco com jantar à noite pelo Chao Phraya, para finalizar nossa passagem por Bangkok com chave de ouro.

Saímos então cedo da manhã, tomamos nosso café no 7eleven e, antes de partir para a Oldtown, a zona dos templos, passamos primeiro no templo do Buda Dourado (Wat Traimit), que fica na China Town bem próximo ao hostel e cuja visita estava desde o início nos nossos planos.

Não sei se já tinha amenizado o luto pelo rei mas o fato é que daqui em diante todos os templos que entramos tivemos que pagar a entrada. Esse do Buda Dourado era se não me engano 30 baths (3 reais).

Esse templo pra mim foi um dos mais bonitos da cidade que conhecemos, é alto e lá de cima se tem uma vista privilegiada de Bangkok. Lá dentro o buda de ouro maciço, que é considerado o maior deste material no mundo, é lindo demais.

Templo do Buda Dourado (Wat Traimit) por dentro e por fora

A lenda diz que essa estátua foi transportada de Ayutthaya para Bangkok quando da mudança de sede da capital do reino do Sião e achava-se ser uma estátua de barro. Porém, no transporte desta, algum abostado à derrubou no chão e a "casca" dela quebrou, revelando então ser na verdade uma estátua toda de outro por dentro. Acredita-se que a mesma foi coberta com barro à época para impedir o seu roubo pelos birmaneses.

No lado de fora também pode-se fazer várias atividades (todas cobradas, é claro). Entre elas, fizemos uma que é um ritual de tocar 108 sinos com o intuito de ficar mais perto da iluminação.

Quase atingindo a iluminação

Há também, junto a uma estátua do confucio, um colégio japonês (ficamos intrigados) dentro do complexo do templo, bem naqueles estilos de anime, com um monte de crianças vestindo uniforme colegial e tudo mais, além de todas as sinalizações e placas estarem em japonês. Não sabemos enfim se é uma escola para aprender japonês ou se é uma escola que usa o método de ensino japonês.

Estátua do Confúcio junto à escola estilo japonesa e vista do alto do Templo


Seguimos então para a estação de ferry pegar o barco para Oldtown. Para conhecer um caminho diferente fomos pegar o ferry numa outra estação que não a mais perto do nosso hostel, a Rachawongse, estação que dá acesso à China Town. No mapa parecia perto, mas caminhamos feito uns animais, primeiro passando pela China Town de dia, que é bem diferente daquela agitação noturna que conhecíamos, e depois por dentro de um bairro residencial que costeia o Chao Phraya, acho que onde devem morar todos os vendedores da China Town, pois todas as casas tinham um estilo chinês com decorações chinesas, além de um cheiro forte de peixe, acredito que pela pesca que devem fazer ali na beira do rio.

Depois de caminhar bastante, fomos de ferry até a estação Tha Chang (sempre com a linha laranja), que desembarca numa rua que fica exatamente entre o Gran Palace e o Wat Pho. Havíamos lido que na saída desta estação o pessoal vinha te atacar freneticamente, oferecendo serviço de guia, vendendo tudo que é possível, tentando aplicar um golpe dizendo que os templos estavam fechados aquele dia e querendo te levar para um outro lugar, etc. Mas no dia ninguém nos ofereceu nada, não sei se devido a morte do rei e a enorme quantidade de locais que estavam visitando o Gran Palace naqueles dias meio que intimidaram os golpistas ou a foi a presença massiva de guardas no caminho. Ou então, foi por respeito ao rei mesmo.

Como não sabíamos onde era a entrada, fomos seguindo o fluxo enorme de grupos de tailandeses vestidos de preto até um dos portões. Quando chegamos, descobrimos que o acesso ali era só para locais, não precisava nem mostrar nenhum documento, só pela cara mesmo eles deixavam passar ou não. Descobrimos depois que ali era uma entrada que dava acesso direto para o palácio onde estava exposto o corpo do rei morto, o que não é permitido para os estrangeiros.

Foi decretado um ano de luto pela morte do Rei da Tailândia. Durante esse tempo todo, o corpo de Bhumibol ficou exposto, acredito que embalsamado, no Palácio Real que fica dentro do Gran Palace, permitindo aos tailandeses (somente tailandeses) darem seu último adeus.
Entrada lateral do Gran Palace (só pra tailandeses)

Demos a volta então no Palácio para acessar a entrada principal. No caminho já dá para observar as edificações lá de dentro, tudo muito majestoso.

No caminho que leva à entrada já dá pra ter uma ideia da suntuosidade do Gran Palace

Depois de caminhar mais um bocado, passando pelo portão de entrada (que é um caminho também belíssimo com um gramado impecável e vista para as estopas do palácio) um tiozinho sentado numa cadeira vestido com roupas militares mas com um jeito que parecia estar bêbado, apontou pra minha bermuda e soltou um: "não permitido" (not allowed), mas num inglês com um sotaque indecifrável e, como ele parecia estar "naquele estado" e ainda falando meio que sozinho, não dei bola e continuamos a caminhada até o guichê de compra de ingressos (500 baths, o ingresso mais caro que compramos na Tailândia). No guichê sim, ali me falaram que eu não podia entrar com minha bermuda, mesmo a bainha dela sendo abaixo do joelho (o que é permitido nos outros templos). Enquanto a Juju já tinha entrado, fui então todo o caminho de volta do portão até a rua, atrás de uma calça, o que, obviamente era fácil de encontrar por ali né? Entrei na lojinha mais perto do Palácio mesmo e fui comprar aquelas calças bem largonas estilo "hippie". Queria comprar uma coloridona pra avacalhar mesmo mas a tiazinha vendedora disse: "você é homem, tem que comprar uma preta". A tiazinha era tão engraçada que nem me opus. Pensei ainda que ia pagar caro já que a situação ali é perfeita para se aproveitar de turistas que esquecem de vir ao Palácio com os trajes adequados, mas até que não. Naquele velho esquema de pechincha, de 150, a calça acabou saindo por 100 baths. Enfim vestido adequadamente, entramos finalmente no Gran Palace.

Esse sim é um lugar gigantesco, fácil de se perder, dividido em vários pátios rodeados de templos, aqueles bonecões gigantes estilo tailandês (são tipo uns guardiões espirituais), estátuas de elefantes, guarda-chuvas e estopas gigantes douradas onde diz-se guardar relíquias (pedaços) do corpo do Buda. Há também uma maquete do Angkor Wat perfeitinha num dos pátios.

Belíssimos templos do Gran Palace, com seus 8 guardiões (aqueles bonecões ali das fotos de cima) nos portões principais e maquete perfeita do Angkor Wat


Nessas estopas douradas aí dizem que estão enterradas partes do Buda (relíquias)


O templo principal, Wat Phra Kaew, é com certeza o mais bonito de todos lá dentro e a principal atração turística, com suas paredes 100% decoradas com vários detalhes em ouro. É onde fica também o buda esmeralda, um buda não muito grande, todo feito de jade, considerado o buda mais bonito da Tailândia. Eu sinceramente não achei grande coisa, o Buda dourado do Wat Traimit, templo que visitamos no início da manhã, pra mim era mais bonito. Também é o único lugar onde não se pode tirar fotos, então não tenho aqui para mostrar, mas se procurar na internet, dá pra se ter uma ideia de como é a estátua.

Detalhes das paredes externas do Wat Phra Kaew, o templo do Buda Esmeralda


Além desta zona de templos, o Gran Palace compreende também uma área só com prédios públicos administrativos, além de uma outra área, onde fica o palácio real, reservada a cerimonias oficiais e a visitas de chefes de estado, num local que por muitos anos serviu de residência oficial do rei até o reinado do Rama IV (que depois mudou a residência para aquela outra edificação lá em frente ao templo de mármore que fomos no domingo).

Todos esses prédios também são lindíssimos, uma mistura de estilo colonial europeu com templos orientais e conta também com jardins ornamentais, mas infelizmente não é permitida sua visita (excetuado os tailandeses que podiam entrar para ver o corpo do rei neste período). Pudemos passar pela frente desta área quando estávamos saindo do palácio e mesmo de longe podia-se admirar os prédios.

Prédios estilo colonial construídos para serem residência real e hoje abrigam a administração pública da Tailândia

Ali havia um cordão de isolamento que separava os locais que estavam liberados para entrar no salão real para ver o rei morto e os turistas, sendo a separação feita daquele mesmo jeito, o guardinha olhando pra tua cara e dizendo: "tu tem cara de tailandês, vai pra lá, tu tem cara de turista, vai pra cá".

Neste prédio aqui o corpo do rei ficou "exposto" por um ano após sua morte

No cordão do lado "de lá", milhares de locais, todos de preto, a maioria chorando, é uma cena impactante (e sempre tem uns gringos babacas com aquelas roupa de turista tirando foto da cara das pessoas e achando graça).

De um lado do cordão, os tailandeses todos de preto, do outro a turistada


Na saída ainda se topa com um daqueles guardinhas tipo inglês, que fica brincando de estátua e a galera tirando foto em volta.

Guardinha estilo inglês

Saindo do Palácio, almoçamos numa entre várias lanchonetes que haviam na rua em frente ao portão de saída. Comi novamente um Pad Thai para ver se dessa vez eu gostava (e tava bonzinho até) e a Juju pediu um Tom Yum. Dessa vez, preferimos pedir sem pimenta (mai ped, sem pimenta em tailandês).

Sem mais delongas partimos para o Wat Pho, o templo do Buda inclinado, o lugar que possui uma das estátuas mais impressionantes do Buda na Tailândia e uma das que mais estávamos ansiosos para conhecer. Logo na entrada (pagamos 200 baths) já dá pra avistar da janela o Budão lá deitado e já ficamos arrepiados! Lá dentro do templo é ainda mais fantástico, realmente espetacular.

De fora já dá pra ter uma ideia do tamanho do Budão
Já dentro, é realmente impressionante!

De frente ao buda fizemos um ritual que é famoso ali, que é jogar 108 moedas, uma por uma, em 108 vasos dispostos em frente à estátua (cobrado, é claro). Também na parte externa do templo, aproveitei para fazer uma oferenda ao Buda. Observei os locais fazendo e os imitei: acender 3 incensos, se curvar 3 vezes em posição de reza na frente do altar dos budas, abrir as pétalas de uma flor de lótus e colocá-la na água para flutuar e colar uma lâmina de ouro que te dão junto com o "kit oferenda" em uma das estátuas do Buda (tu escolhe uma e cada uma tem um significado diferente, tipo se tu quer prosperidade, amor, saúde, etc), vai que eu fico mais perto da iluminação né?

Fazendo oferendas ao Buda

O Wat Pho, assim como o Gran Palace, é um complexo de templos. Tem o "principal" que é o do Buda Inclinado e a parte externa é formada por vários pátios interligados com diversos templos, cada um com uma estátua de Buda diferente (que agora nós mais ou menos já sabíamos o que significava devido à visita ao Pátio dos 50 budas no Templo de Mármore no domingo), além de várias fontes e estopas.


Parecendo o velho do saco no meio de estopas no pátio do Wat Pho; Detalhes dos portais que dão acesso entre os vários pátios do complexo; uma das diversas fontes com peixes e estátuas que parecem uns duendes; pátio dos budas.


O Wat Pho também é famoso por abrigar em seu complexo a primeira escola de massagem da Tailândia e, não perdemos a oportunidade de experimentar uma massagem ali. Dessa vez, devido à oportunidade única, resolvemos abrir a mão e fazer a massagem "quase" completa, que custava 400 baths. Tem umas outras mais "gourmet" onde a gente via o pessoal passando pelo corredor sem roupa, só com uma toalinha enrolada, mas aí já era demais pra nós. Essa que fizemos já foi bastante completa e valeu muito a pena. É aquela que a pessoa põe tuas perna prum lado, puxa a coluna pro outro, sobe com os pés em cima de ti, enfim, aquela mesma que vem a cabeça quando se pensa em massagem tailandesa. Saímos dali todo doloridos mas como se estivéssemos novinhos em folha, bem louco.

Já era 17h30 quando começamos o caminho de volta ao hostel, já que tínhamos que estar no Pier às 19h. O ferry demorou um pouco para vir e o carinha na estação (fiscal, vendedor, funcionário da estação, sei lá) estava direcionando a turistada para o barco da linha azul, um que é mais caro, mas nós como não somos bobos, ficamos e esperamos o nosso pinga pinga da linha laranja. No caminho ainda passamos bem em frente ao Wat Arun e deu pra ver que é bem bonito. Lamentamos o fato dele estar em reforma durante nossa viagem.

Wat Arun em reformas visto do Chao Phraya, fica pra uma outra vez

Chegando no hostel, tomamos um banho, colocamos nossa roupa mais bonita (ou menos chinelona) e fomos ao Píer para nosso passeio "romântico" pelo Chao Phraya, que já estava comprado e agendado desde antes de sairmos do Brasil. No pier, que não é o mesmo onde se pega o barco público mas é ao lado, havia várias companhias que fazem esse passeio. Barcos luxuosos, espelhados, temáticos, e o nosso claro era o mais simplesinho, mas nem por isso menos chique.

No píer, aguardando nosso barco para o passeio (lá atrás passando já um barco mais luxuoso).

O trajeto do barco é ir até a Oldtown, a área dos templos, numa ponta e termina, na outra ponta, no complexo Asiatique Riverfront, outro lugar que vale a pena uma visita quando se está em Bangkok, um complexo à beira do rio numa zona mais nobre, com lojas, restaurantes, comidas de rua e uma roda gigante daquelas para observar a cidade. No caminho as pontes todas iluminadas, bem como os templos, fazem desse um passeio muito bonito.

Tailandesinha fazendo uma dança típica durante o passeio e vista da região dos templos, todos iluminados à noite.


Mas o que mais estávamos esperando era a hora de servir a janta, que desde já sabíamos se tratar de um buffet livre. Pensei comigo mesmo: é agora que vou comer até me fartar! Porém, na hora que liberaram para se servir, a comida era muito "tailandesa" pra nós (a Juju até que gostou). Não entendíamos quase nada que tinha ali para se servir. O que tinha cara boa tinha um tempero muito ruim, o que parecia salgado tinha gosto doce, e assim foi. Pra quem achou que ia encher a pança, foi uma decepção. O consolo é que a salada era boa, hehehe.

Nosso jantar romântico no barco a luz de velas. Achou que ia encher a pança hoje? Achou errado!


Durante a janta ficava um carinha tocando saxofone no meio das mesas e depois começou a "apresentação musical", bem no estilo bailão, com um carinha cantando em cima de umas bases prontas eletrônicas. Ficamos ali então conversando sobre como Bangkok tinha nos maravilhado de um jeito que parecia que pertencíamos àquela cidade e ouvindo as musiquinhas que o tio cantava. Na época gravamos a "performance" para postar no finado snapchat, mas nunca esquecemos até hoje daquelas melodias.

Depois pegamos umas cervejas (3 por 150 baths) e fomos pro convés do barco observar as luzes da cidade pela última vez. Assim, nos despedimos de Bangkok, com a certeza de que temos que voltar muitas outras vezes.

Se despedindo de Bangkok. Atrás a roda gigante do Asiatique Riverfront


17 visualizações0 comentário