• Ariel Farias

SUDESTE ASIÁTICO 24º Dia - Se despedindo da Malásia (27/11/2016)

Último dia em Kuala Lumpur, à noite pegaríamos o ônibus noturno em direção à Singapura. Como já mencionamos, nos dias "de trânsito" digamos assim, optamos, quando possível, sempre por não ter nada programado, usar o dia mais pra descanso mesmo e pra que não corramos o risco de perder o nosso transporte para o próximo destino. Nosso ônibus só sairia à noite, atravessaríamos a fronteira de madrugada e chegaríamos em Singapura somente noutro dia, economizando uma diária de hostel, portanto, nesse caso, teríamos o dia inteiro pela frente. Apesar de cidade grande, as principais atrações de Kuala Lumpur, ficam todas muito perto, e no fim, o que tínhamos programado para fazer nos 3 dias na cidade acabamos fazendo tudo praticamente no primeiro dia (visita às Petronas, Aquaria, Merdeka Square, China Town...). Ainda havia alguns lugares que eu tinha interesse em visitar, como o Estádio Bukit Jilal, um dos 10 maiores estádios do mundo e o templo Thean Hou, o maior templo budista da Malásia (tem também o jardim botânico com o parque das aves que parece ser muito bonito!), mas não estávamos afim de ir muito longe, então resolvemos passar o fim da manhã e a tarde em Bukit Bintang, conhecendo as lojas que tínhamos ido na noite anterior mas já estavam fechadas.

Tomamos o café-da-manhã no hostel então, sem muita pressa, fizemos check-out e perguntamos pro Max se podíamos guardar nossas mochilas lá até o fim do dia. Como o melhor host que já tivemos, ele prontamente disse que lógico que sim e ainda nos emprestou duas toalhas para que tomássemos banho lá antes de partir à noite (o Max é demais!), sem nem pedirmos!

Depois do café, partimos então, dessa vez de metrô (para fazer um trajeto diferente), para o bairro Bukit Bintang.

Bukit Bintang, agora de dia


Chegando lá, no começo foi meio difícil achar, agora de dia, os shoppings que tínhamos ido no dia anterior à noite, mas, refazendo nosso trajeto, facilmente encontramos. Passamos o resto da manhã então entre andares e mais andares de lojas de animes, brinquedos colecionáveis, umas lojas com videogames raros (jogos de nintendo, mega drive), e o pior de tudo: tudo muito barato! E eu digo pior porque, devido a não termos espaço nas nossas mochilas, não íamos poder comprar nada, ficamos só olhando. Se viajássemos com bagagens a despachar, teria trazido um monte de legos, jogos retrô e robôs de montar do Gundam pra dar de presente pro meu irmão que coleciona essas coisas, tudo na média de 20 reais o que aqui no Brasil não se acha por menos de cento e poucos reais (na época)...

Chegando à hora do almoço, fomos dar uma olhada sem compromisso na praça de alimentação do shopping e, como as comidas eram baratas e pareciam boas, resolvemos comer por ali mesmo. Escolhemos uma lanchonete que dizia ser de comida malaia e o prato, escolhido a olho, era bem bonito, mas o gosto... foi a pior coisa que comemos na viagem! Não lembro agora o nome da comida pra dizer para quem for pra Kuala Lumpur para que não coma! Ainda bem que pedimos um prato para nós dois...

Que comida mais ruim!

Depois do almoço, rumamos de volta para o centro. Como era cedo, resolvemos encarar o ônibus GoKL (pra economizar também hehe). Só que agora no volta, todo aquele deslumbramento que havíamos tido com o ônibus no dia anterior, foi por água abaixo. Primeiro na própria parada de ônibus que, apesar de bem agradável, com uma grama sintética pro pessoal poder sentar pra esperar, o mesmo demorou horrores no trânsito caótico e, quando chegou, estava tão lotado que passou direto, não conseguimos pegar.

Esperando o ônibus GoKL na confortável graminha sintética da parada


Mais um tempo esperando e nesse meio tempo, vieram umas malaias pedir pra tirar foto com a Juju: ficavam olhando e apontando pro cabelo dela e achando o máximo, muito engraçado! Fizeram altas poses, revezando uma com a outra pra tirar foto.

Quando enfim conseguimos pegar o ônibus, tudo ia bem até que, pelo meio do caminho ele começou a encher, encher, encher mais um pouco, encher mais, até que ficamos literalmente esmagados dentro do ônibus sem espaço nem pra respirar (é sério).

Preocupados principalmente com nossos pertences, conseguimos chegar vivos e inteiros na nossa parada. Antes de voltar pro hostel e a essa hora estávamos muito agradecidos por podermos tomar um banho antes da viagem, compramos uns singapore dólares para levar pra Singapura (já que chegaríamos no país de manhã bem cedo) numa casa de câmbio ali perto, e demos mais uma volta no Sentral Market comprar umas lembrancinhas de presente.

Depois de encher o saco negociando preços, comprei um scarf pra dar de presente pra minha mãe numa loja de uma mocinha muito simpática, que contou um pouco de sua história: de que ela podia se dizer 100% malaia, já que o pai era chinês, a mãe indiana, o vô inglês e a vô malaia (não necessariamente nessa ordem hehehe), foi o scarf mais caro que achei no mercado, mas pela simpatia (e pela qualidade do produto claro), acho que valeu a pena.

O resto do dia, até a hora da saída do nosso ônibus, ficamos na área comum do hostel, esperando o tempo passar e ouvindo a conversa dos outros hóspedes, chegamos a ficar entediados...

Esperando o tempo passar

Chegada à noite, nos despedimos do Max, agradecemos imensamente sua hospitalidade e seguimos em direção ao metrô, na estação Masjid Jamek. O caminho ali do centro até a estação é daqueles lugares que se fosse no Brasil você nunca iria andar a pé àquela hora: ruas escuras e com pouquíssimo movimento (tirando os moradores de rua pelas esquinas). Mas eis que atravessando a rua para chegar na entrada do metrô, olho de longe um cara com a camisa do grêmio, muita coincidência! Pena que estava longe e não pude falar com ele.

Pegando o metrô ali na parada, e agora já estávamos craques no sistema de metrô de Kuala Lumpur, rapidinho chegamos na estação TBS (Terminal Bersepadu Selatan), o terminal da estação de ônibus de Kuala Lumpur, que parece até um aeroporto de tão "grandioso". Como nossa primeira vez numa rodoviária deste nível, estranhamos um pouco. O esquema para pegar o ônibus é praticamente o mesmo de pegar avião: é preciso ir no guichê da companhia fazer uma espécie de check-in (na verdade só retirar o ticket que havíamos comprado pela internet), passar para a sala de embarque, onde conferem tuas mochilas num raio-x e depois tu aguarda no teu portão de embarque, dentro do prédio, olhando pelos painéis eletrônicos. Foi meio ruim porque no portão que estava marcado o nosso ônibus havia alguns ônibus atrasados que estavam saindo no mesmo portão. Mas como eram de empresas diferentes da do nosso ticket, não teve erro.

Chegando o ônibus, às 23h45 da noite, começou então nossa tumultuada viagem rumo à Singapura. O ônibus possuía as poltronas mais confortáveis que eu já sentei em ônibus na vida (até hoje continua sendo o melhor de todos) e já fiquei triste que a viagem ia ser tão curta: a previsão de chegada em Singapura, e o ponto final do ônibus era na rua da esquina do hostel que iríamos ficar, era um pouco antes das 6h da manhã, contando o tempo na imigração (muito perto!). Começando a viagem, começou o perrengue: primeiro, o motorista não falava uma palavra em inglês, e ninguém no ônibus que entendia estava muito disposto a servir de intérprete. Ele parou várias vezes no caminho e dava algumas informações as quais não entendíamos nada. Numa dessas ele parou, ficou falando alguma coisa prum guri que tava sentado lá na frente um tempão e o guri parado sem entender nada, até que ele desistiu e voltou pro volante. Mais adiante, lá pelo meio da madrugada, em mais uma parada, saiu do volante e começou a gritar com o pessoal, com ninguém entendendo nada, só todo mundo parado olhando pra ele, até que um rapaz lá da frente, com muita má vontade resolveu informar que ele tava pedindo pra todos descerem. Descemos todos então e quando vê nos dirigiram pra outro ônibus, com outro motorista... Não entendemos nada mas fomos né? Vai que o outro motorista tinha algum problema na justiça e não podia chegar perto da fronteira, sei lá...

Mais um minutos, e nisso o ar condicionado do ônibus a milhão nos congelando vivos, chegamos no posto de imigração da Malásia (ou seja, não dormimos acho que nem meia hora de tanta movimentação). Tranquilo, passamos rápido e voltamos pro ônibus para ir até a imigração de Singapura, e aí começou a muvuca.

Chegando na imigração de Singapura, parecia que havia brotado do nada milhões de ônibus com milhões de pessoas para passar na imigração. Gente correndo, formando filas quilométricas ali no meio da gente. Descobriríamos mais tarde que, devido à proximidade, a facilidade de deslocamento e a situação econômica de Singapura (o dólar de Singapura vale mais que o dólar americano, imagina pros malaios!), milhares de malaios atravessam a fronteira diariamente, antes do amanhecer para trabalhar em Singapura, ganhar dinheiro em dólares de Singapura, e no fim do dia retornam pra Malásia. Sendo assim, e meio patetas que fomos de não correr para as filas na hora que chegamos, acabamos demorando quase 3 horas pra passar a imigração. Pra completar ainda, o tiozinho do guichê foi o primeiro agente simpático de alfândega que conhecemos. Parava para conversar e dar risada com todo mundo. Inclusive quando passamos e ele viu no meu cartão de imigração que iriamos pra Krabi puxou papo de que morava na Tailândia e sentia muitas saudades de Krabi, que nós eramos sortudos e blá blá blá.

Passamos pro lado de lá da fronteira quando já era mais de 8 e meia da manhã, e do outro lado encontramos uma muvuca maior ainda com milhares de pessoas e milhares de ônibus atravessando. Ficamos até umas 9 e meia procurando e esperando nosso ônibus, sem saber se ele já tinha ido embora sem nós (o que parecia ser muito provável pelo tempo que demoramos). Quando o sol começou a castigar, desistimos então de esperar e resolvemos procurar um jeito de chegar no nosso hostel por conta própria.



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