• Ariel Farias

SUDESTE ASIÁTICO 23º Dia - Conhecendo as Batu Caves (26/11/2016)

Dia de visitar as Batu Caves, talvez a segunda maior atração turística de Kuala Lumpur. Acordamos bem cedo e novamente, o Max havia comprado pão, manteiga e geleia para oferecer para o pessoal, o que nos permitiu novamente tomar café-da-manhã de graça! Mesmo assim, passamos no 7Eleven para comprar umas guloseimas para levar visto que havia informações de que comer lá perto das Batu Caves era meio caro. Seguimos então para a estação de trem Kuala Lumpur pegar nosso transporte. Eu digo estação de trem, e não metrô, porque essa é uma estação bem "clássica" mesmo, parece uma estação de trem antiga, inclusive dizem ser esta linha de metrô mais antiga de Kuala Lumpur. Bem bonita e apesar de antiga, bem moderna (e vazia) e, apesar de passarem duas linhas de trem na mesma estação, era muito boa a sinalização com painéis eletrônicos mostrando que trem era e quantos minutos faltavam pra cada um chegar.

Estação de metrô Kuala Lumpur


Para chegar na estação é que é meio complicado, já que ela se liga com a Estação de metrô Pasar Seni (a que descemos quando chegamos do aeroporto), e as duas são ligadas por uma ponte que passa em cima de um riachinho tipo esgotão a céu aberto. Novamente, tem que cuidar para não entrar na estação errada.

Separados por um riachinho, as duas estações que são interligadas

Pegamos o trem e, uns 40 minutos depois, já se avista da janela do vagão as montanhas e a estátua gigantesca da divindade hindu Murugan, uma estátua dourada de 42 metros de altura que se localiza na base das Batu Caves e é o principal símbolo do local.

As Batu Caves


Também dá pra saber que se está chegando perto porque a essa altura do trajeto, a maioria dos moradores locais já desceram em suas paradas e só se enxerga gringos dentro do trem, todos indo conhecer a atração turística. Mas afinal o que são as Batu Caves?

As Batu caves são montanhas de calcário, localizadas na periferia de Kuala Lumpur, que abrigam diversas cavernas (batu significa rocha em malaio) e, por intermédio de um mercador indiano que se estabeleceu na região nos anos 1890, foi transformado em um lugar de adoração aos deuses, sendo instalada dentro das cavernas a primeira estátua sagrada, em adoração ao deus hindu Murugan.

Com o passar dos anos, mais e mais devotos começaram a frequentar o local e foram-se construindo diversos templos tanto dentro das cavernas quanto ao seu redor, além da construção da escadaria de 272 degraus que leva ao templo principal e a maior estátua do mundo do deus Murugan, bem em sua entrada, se tornando assim o principal templo hindu do mundo fora da Índia e um dos principais locais de peregrinação de hindus no mundo.

Descendo do metrô, numa curta caminhada já se chega na entrada do complexo (novamente, só seguir a leva de turistas), e no caminho mesmo já depara-se com diversas banquinhas de artesanatos e frutas, com destaque para a venda de bananas aos turistas para oferecer aos macaquinhos que ficam nas escadarias do templo (sim, são muitos e essa também é uma das atrações das Batu Caves). Eu, desde que o Canadense do nosso quarto em Bangkok contou a história de que foi mordido por um macaco, estava evitando ao máximo esses bichos, mas a Juju quis encarar a atração então compramos umas bananas superfaturadas ali nas banquinhas (superfaturadas para a Malásia, comparando aos preços no Brasil ainda era muito barato!) para oferecer aos macaquinhos.

Juju preparada para alimentar os macaquinhos

Logo na entrada do complexo, que é gratuita, antes de se chegar nas escadarias e na entrada da caverna propriamente dita, já encontram-se diversos templos hindus e locais de adoração com estátuas muito bonitas e coloridas, entre esses um local de adoração do deus Rama, a Ramayana Cave. Não entramos em nenhum pois todos eram super abertos e pequenos, podendo-se apreciar de fora tranquilamente.

Pequenos templos na entrada das Batu Caves


Para entrar em algumas partes porém, é cobrado a parte, como em alguns templos específicos ou para atravessar uma pontezinha que fica sob um lago muito bonito cheio de carpas, sempre um valor simbólico, mais a nível de doação mesmo.

Laguinho cheio de carpas em volta das Batu Caves


Seguindo em direção à escadaria que leva às cavernas, ainda passamos por um outro templo que ficava no topo duma escadaria bem considerável e que, apesar de parecer mais "pomposo" que os outros ali da entrada, estava bem mais vazio (de certo o pessoal evita subir aquelas escadas ali pra guardar energia pra escadaria grande).

Templo um pouquinho maior maior dentro do complexo das Batu Caves


Chegamos então às Batu Caves propriamente ditas. Infelizmente, quando estávamos lá, o local passava por algumas reformas (que dizem que duraram até 2018!) mas, felizmente, o acesso não foi suspenso e deu pra apreciar a beleza do lugar do mesmo jeito. As montanhas ao fundo e a enorme estátua muito detalhada de Murugan são muito impressionantes. Quem olhar as fotos atuais vai ver que hoje o local está ainda mais bonito, com as escadarias todas coloridas e com novos templos em sua volta, todos também muito adornados e coloridos.

Muitas obras ocorrendo em torno do templo


Quando começamos a subida dos 272 degraus, não é que os responsáveis pelas obras no local tiveram uma ideia genial? Pra cada turista que começava a subida o pessoal da obra oferecia (meio que te obrigavam a carregar) um balde com cimento pra tu levar lá pra cima, como forma de contribuição com o templo e meio que uma oferenda ao deus Murugan. Com a multidão de turistas que sobem o dia todo, rapidinho já tava resolvido o transporte do cimento para as reformas (muito espertos não?).

Dando a nossa contribuição na reforma do templo


Ali pelo meio da escadaria começam então a aparecer os macaquinhos fazendo graça e procurando comida entre os turistas. Obviamente, com tanta gente dando comida e querendo "pegar" nos bichinhos, eles se domesticaram e se acostumaram mal e ficam meio que "te olhando com cara feia" quando tu passa reto sem dar nada pra eles comerem. Ainda bem que a Juju estava municiada e se divertiu alimentando os animaizinhos (é tanta comida que eles pegam de ti, guardam com as patinhas e ficam pedindo mais) enquanto eu tentava manter distância e gritava pra ela cuidar os pertences dela.

Macacada fazendo a festa com as bananinhas da Juju


Com tantas "atrações" no caminho, tu acaba subindo os 272 degraus num tapa, e quando vê já estávamos dentro das Batu Caves. Você se sente como se estivesse na Bat Caverna hehe.

Caverna principal das Batu Caves e a Juju se achando o Batman


Dentro da "caverna principal", muitas obras, mas também esculturas e templos muito bonitos e coloridos, no meio daquele cenário então, ficava tudo muito magnífico. Não é a toa que é um dos principais lugares de peregrinação no mundo.

Várias esculturas muito bonitas dentro da caverna

E por falar em cenário, esse é forjado por muitas estalactites e algumas aberturas que dão uma luminosidade toda especial. Realmente, é um lugar imperdível pra se visitar na Malásia.

Enquanto a Juju dava mais uma volta pela caverna, fiquei observando atentamente como funcionava ali pro pessoal "tomar a benção" do sacerdote hindu, e era bem interessante com a finalização da cerimônia com a pintura da testa dos fiéis com açafrão vermelho. Não quis participar porque não entendo nada de religião hindu e não queria dar uma de "turista", fazendo algo que nem sei direito pra que serve.

"Templo principal" no centro das Batu Caves, onde estava acontecendo a cerimônia religiosa. Na foto do meio de cima, o "padre" que a estava ministrando, sem camisa e com a careca pintada


Começamos então a descida de volta. No caminho, agora menos preocupado com os macacos (já que não tínhamos mais bananas), pudemos apreciar a bonita vista de Kuala Lumpur e vimos que há no meio do caminho outras cavernas que tu pode entrar também para visitar (porém essas eram pagas).

Descida da escadaria das Batu Caves e alguma das cavernas "secundárias" que você também pode visitar


Lá na base das cavernas, demos mais uma volta nas lojinhas de souvenires que ficam em frente ao templo e nas barraquinhas de comida também. O preço dos pratos no final não era assim tão caro quanto havíamos escutado (e pareciam ser gostosos) mas, como ainda estava cedo pra comer, optamos por não almoçar por ali e seguimos pra estação pegar o metrô de volta pro centro.

Rapidinho pegamos o trem e já estávamos de volta à nossa estação, a Kuala Lumpur. Na descida passamos pelo Sentral Market e pudemos acompanhar um ensaio pra alguma apresentação que iria acontecer ali mais tarde, não soubemos do que se tratava, mas parecia um show de talentos com vários jovens ou cantando ou fazendo um teatro, bem engraçado, paramos ali um tempinho pra acompanhar.

Ensaio para algum evento que ia ocorrer em frente ao Sentral Market


Chegando a hora do almoço, um impasse: eu queria experimentar comida de um restaurante caseiro e a Juliana queria comer no KFC, então se separamos. Segui então ali pelo centro em busca de um lugar pra comer enquanto a Juju foi no KFC em frente ao Sentral Market. Tratei de escolher então o restaurante mais fuleiro, mas dentre estes o mais cheio, de preferência de locais (sinal que a comida é boa) e fui. Achei então um buffet livre, e, como não vi nenhuma balança perguntei como funcionava. O garçom então me falou que era no olho, que era só eu me servir e depois ele cobrava ali de acordo com o que eu tinha pegado. Meio estranho né mas que seja, me servi de arroz, galinha, peixe e uns vários curries e no final deu o equivalente a 12 reais. Achei caro pros padrões malaios mas olhei a comanda do resto do pessoal na minha mesa e todos eram por aí mesmo o preço. Vendo que eu era turista, o garçom me alcançou talheres (garfo e colher. Pra quem não sabe e acho que eu não tinha comentado ainda, na Ásia não se usa faca para comer). Num primeiro momento comecei a comer ali com os talheres, ao contrário de todos os colegas de mesa que estavam comendo com a mão até que começou a ficar difícil comer o peixe e a galinha com colher. Nisso senta na minha frente um tiozinho com um turbante, vestido como um típico brâmane indiano, me dá oi e começa a comer ali com as mãos que estavam "um pouco" sujas, arroz, lentilha, os molhos... Larguei então de ser besta e me juntei a ele, larguei os talheres e mandei ver o resto do meu prato com as mãos mesmo, muito mais prático (só os molhos que era meio difícil)! Só passar depois no banheiro pra se lavar e tava resolvido a questão. O banheiro, aqueles bem típicos né, claro.

Típico banheiro asiático

Encontrei com a Juju depois e, como eu demorei, ela aproveitou ainda pra cortar o cabelo numa barbearia que tinha ali na frente do KFC. Disse que foi meio complicado explicar pra cabeleireira o corte que ela queria mas no fim deu tudo certo. Voltamos então pro hostel se arrumar para mais tarde ir curtir a "noite malaia".

Pelas nossas pesquisas, o bairro mais boêmio e "democrático" digamos assim, de Kuala Lumpur era o bairro Bukit Bintang, e lá que resolvemos ir para curtir a noite malaia. Para chegar lá tem duas opções: de metrô, fazendo algumas baldeações e com uma coisa muito legal que tem em Kuala Lumpur que é o ônibus GoKL.

O GoKL é um ônibus circular (na verdade são várias linhas, cada uma diferenciada por uma cor, apesar de todos os ônibus serem roxos) gratuito, que circula por determinados pontos centrais e turísticos da cidade, criado com a intenção de diminuir o fluxo de carros particulares na zona central de Kuala Lumpur. Uma ideia genial de cidades que se preocupam com a mobilidade urbana. Aquelas coisas que a gente fica triste pois, no Brasil, onde transporte público é tratado como privilégio e não como direito, nunca acontecerá (pelo menos não a médio prazo). E a gente percebe como é uma iniciativa positiva pois quando fomos perguntar pro Max onde era a parada mais próxima do hostel vimos que ele se encheu de orgulho: "It´s purple! It´s beautiful!" dizia ele, hehehe.

Fomos então experimentar o tal ônibus grátis para ir até Bukit Bintang e se surpreendemos, além de limpo, com ar condicionado, ele ainda tinha um mapa dentro e avisava por voz a próxima parada, estilo metrô, ficando muito fácil para gente se achar.

Descemos uma parada antes da "oficial" de Bukit Bintang pra dar uma caminhada e conhecer o bairro. Numa primeira vista, trata-se de um bairro de extrema "ostentação". Muitas luzes, painéis eletrônicos, shoppings, carros e lojas de marca. Ficamos meio perdidos e se não fosse o GPS achando que estávamos no lugar errado.

Parte "ostentação" da Bukit Bintang. Na última foto a Juju na frente de uma loja que frequentamos bastante (jura hehehehaeha)


Havia lido num blog que a melhor rua do bairro para bares e tal era a rua Jalan Alor, então fomos seguindo pra lá, devagar, curtindo o movimento. Mais lá perto já se encontram alguns camelôs e shoppings com roupas de procedência duvidosa, bem mais nossa cara hehehe. Quando chegamos na Jalan Alor, aí sim! Uma espécie de Khao San Road de Kuala Lumpur (bem menos muvucada, é lógico) cheia de de comércio de rua, barraquinhas de comida e tendinhas com mesas na rua, nos achamos! Demos uma boa volta ali com o inconveniente dos garçons dos bares não te deixando em paz um minuto te oferecendo os menus e resolvemos matar saudade da comida tailandesa comendo numa barraquinha de Thai Food um Pad Thai, que por sinal estava muito mais gostoso do que os que havíamos comido na Tailândia. Também aproveitamos pra tomar "umas" cervejinhas Carlsberg que, apesar de caras, como tudo na Malásia era tão barato (incluindo ônibus de graça), nos demos esse luxo.

Comendo um Pad Thai e tomando umas Carlsberg na Jalan Alor


Depois da janta fomos seguindo sem rumo pelas ruas do bairro, algumas partes bem residenciais mesmo, com prédios bem humildes e mal iluminados e outras pura ostentação, cheio de luzes e rodeado de shoppings.

Ruas de Bukit Bintang à noite


Já que tinham vários, fomos conhecer então os shoppings que tem por ali. Entramos em um bocado, uns tinham música ao vivo na praça de alimentação, outros eram só destinados a eletrônicos, mas o que mais nos chamou a atenção era um que tinha andares e andares de lojas de anime, video games e brinquedos colecionáveis. A maioria das lojas, àquela hora da noite, já estavam fechadas, então combinamos de voltar ali no outro dia para dar uma conferida.

Shopping com vários andares de lojas de animes e brinquedos


Perto da meia-noite então, aproveitamos para pegar o metrô de volta ao nosso hostel (acho que pegamos o último metrô da noite).


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