• Ariel Farias

COLÔMBIA 5º Dia - Visitando o Castelo de Barajas (28/04/2017)

Nosso último dia "cheio" em Cartagena, ainda faltava em nosso roteiro a visita ao Castelo de Barajas e o Free Walking Tour. Acordamos cedo então e já seguimos para o Castelo de San Felipe de Barajas.

O Castelo de San Felipe de Barajas é uma forticiação que foi construída num ponto estratégico para a defesa do porto de Cartagena contra invasores, no alto da colina de San Lazaro, e é considerada a maior construção espanhola fora da Europa (só por isso dá pra ter uma ideia da importância que tinha o porto de Cartagena para os imperialistas espanhóis). Construído entre 1536 e 1657, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1984, e também uma das sete maravilhas da Colômbia.

Como a visita é quase 100% em área aberta, tratamos de ir bem cedo para não pegar o sol a pino (o que não adiantou muito). Ainda, por ser um pouco mais afastado do mar, essa parte da cidade consegue ser ainda mais quente que o normal.

Seguimos então a pé pela Calle 30, passando pelo Bairro Getsemani e atravessando uma ponte que cruza a Laguna de San Lazaro, em seguida já se avista o imponente castelo ao fundo.

Passando a ponte sobre a Laguna San Lazaro, já se avista ao fundo o bonito Castelo


O castelo fica a um pouco mais de 1 km de distância da torre do relógio e no caminho fomos obrigados a parar algumas vezes e entrar em algum lugar com ar condicionado para dar uma amenizada no calor. Primeiro entramos num shoppingzinho na Calle 30 em frente ao Castelo, e depois num supermercado, aproveitamos pra comprar uns Gatorades (muito barato na Colômbia) para rehidratar.

Shoppingzinho pra afugentar o calor

Antes porém de entrar no Castelo, fomos procurar uma escultura que fica próxima dali que é bem famosa em Cartagena, o Monumento a los Zapatos Viejos.

O monumento dos sapatos velhos, em português, é um monumento em homenagem ao poema "A mi ciudad nativa", que por sua vez é uma homenagem à cidade de Cartagena do poeta nativo Luis Carlos López.

O poema de López é uma declaração de amor à cidade de Cartagena que foi convertido em estátua e hoje é uma atração turística da cidade.

Tão famoso que quando estávamos procurando a escultura os locais que passavam por nós na rua e viam que tínhamos cara de turista, apontavam na direção delas: "é lá que fica os sapatos velhos". A estátua em si não tem nada demais, mas dá pra tirar umas fotos bem bonitas com o Castelo de Barajas ao fundo, ou divertidas, dentro do sapato. Do lado da estátua fica um mural com a transcrição do poema de López.

Monumento a los Zapatos Viejos


Finalmente então, rumamos para o Castelo. Havia lido que na Colômbia aceitavam a carteira de estudante de outros países para pagar mais barato o valor de entrada em alguns locais, e o Castelo foi um desses lugares (o único na verdade)! Apresentei minha carteira de estudante aqui de Porto Alegre e a entrada no Castelo, de 25.000 COP paguei 15.000 (uhu!).

Bem na entrada temos a estátua de Blas de Lezo, militar espanhol que liderou a defesa do Castelo durante o Cerco de Cartagena, em 1741, episódio que deu início à Guerra da Orelha de Jenkins, uma das maiores derrotas navais da Inglaterra.

Estátua de Blas de Lezo

O começo da visita tem que subir uma ladeirinha que já dá uma certa cansada naquele sol, numa parte que foi toda reconstruída e criadas algumas pontes para os visitantes poderem chegar no Castelo, visto que quando era ativo, não havia uma "entrada" propriamente dita, tendo que ser acessado somente pelos túneis, ou escalando-o.

Juju já morta por causa da subidinha e do calor


Chegando na parte "principal" já dá pra apreciar uma vista belíssima da cidade, com a Laguna de San Lazaro desembocando lá ao fundo em Bocagrande. Dá pra ver mesmo que a localização do Castelo era estratégica para a defesa da cidade.

De cima da fortaleza pode-se observar praticamente toda a cidade


Por ali ficam várias salas internas que foram transformadas em museus com exposição de peças da época ou apenas retratando como eram as salas utilizadas pelo exército espanhol, tanto a parte das prisões como as salas mais administrativas do Castelo.

Mais pontos "charmosos" do Castelo


A nossa sala de visitação preferida foi uma que estava passando um videozinho contando a história do Castelo de Barajas (já que era a única que tinha ar condicionado hehehe) e também de Cartagena, com ênfase nas batalhas travadas na região. Uma animação bem legal que conseguia deixar a guerra "divertida". Assistimos umas duas vezes o vídeo inteiro. A primeira "versão" do castelo era apenas um triângulo no topo da colina (que ainda hoje consegue se observar essa construção). Com as recorrentes tentativas de invasões de povos estrangeiros, como franceses e holandeses, tentando tomar o porto que desembocava para a Europa grandes quantidades de ouro e prata saqueados pelos espanhóis na América do Sul, aos poucos foi se expandido as fortificações em volta do Castelo, de forma até um pouco desordenada, como se nota ao caminhar sobre ele (andares desregulares, muros nada simétricos) culminando com a Guerra da Orelha de Jenkins em meados de 1700 com a expulsão dos ingleses, considerado hoje um ato heroico dos militares espanhóis que possuíam à época um exército considerado inferior ao britânico.

Mas um dos pontos altos do passeio são os túneis subterrâneos dentro da fortaleza. Bastante estreitos, vários estão conservados e permite que você ande por muitos metros dentro deles (pra quem não sofre de claustrofobia). Dizem que estes foram um dos motivos que propiciaram as vitórias nas batalhas travadas em Cartagena. Graças a extensa rede de túneis que permitiam acesso a diversos locais dentro e fora da fortificação (dizem que tinha túneis que iam até a cidade murada), formando um complexo labirinto, os soldados espanhóis conseguiam surpreender seus inimigos ou fugir quando estivessem encurralados.

Túneis no Castelo de Barajas

Terminando a visita, fomos até a parte mais alta do castelo e lá a vista é ainda mais bonita. A parte mais alta mesmo estava fechada para visitação (não sabemos se é permanentemente fechada), apenas permitindo acessar uma lojinha de souvenires e mais uma masmorra do castelo.

Masmorras do castelo e lojinha vendendo souvenires e antiguidades


Se aproximando do meio-dia e ficando ainda mais quente, fomos descendo então em direção à saída. Outro ponto que vale destacar, que muitos consideram uma característica negativa do lugar é a conservação dos muros, que não é das melhores. Particularmente achamos melhor assim, dando um clima mais "medieval" para o Castelo e ficando ele com uma coloração bem característica, que o torna único.

As paredes do castelo tem uma cor bem característica


Resolvemos voltar pro hostel por um caminho diferente, pela ponte ao norte da que atravessamos na vinda, na Avenida Pedro de Heredia, para conhecer outra parte da cidade. No caminho, passamos por outro shopping, esse bem maior que os outros que havíamos conhecido na cidade e aproveitamos para dar uma parada e aproveitar o ar condicionado.

Shopping grande em Cartagena


Demos uma passada na praça de alimentação e, vendo que os preços eram convidativos (e estávamos com fome) resolvemos almoçar por lá mesmo. Experimentamos então nossa primeira "badeja paisa", prato típico da região da Antioquia (província onde fica Medellin e onde mais tarde nós comeríamos várias bandeijas paisas) que consiste num pratão farto de arroz, feijão, banana frita, carne moída, ovo, chorizo (torresmo), linguiça e abacate. Pagamos 15.000 COPs um prato que dava pra dois e sobraria se estivéssemos com pouca fome.

Primeira Bandeja Paisa da viagem

Para quem não sabe, paisa é como se referem à cultura e o povo da província de antioquia. Traçando um paralelo, seria como o "gaúcho" aqui no sul do Brasil. Inclusive as vestimentas paisa e as músicas são muito parecidas com as gaúchas (pilcha, bombacha, gaita), bem semelhante mesmo.

Almoçados, seguimos em direção ao nosso hostel. No caminho avistamos próximo à ponte da Avenida Pedro de Heredia uma pequena favela ribeirinha, bem próxima à cidade murada, altamente turística e do shopping luxuoso que almoçamos, contraste típico da nossa América Latina.

Passando a ponte e chegando na Avenida Venezuela, que leva em direção à Torre do Relógio, passamos por mais um ponto bastante famoso e turístico de Cartagena, a estátua em homenagem à India Catalina:

Catalina é a figura indígena mais famosa de Cartagena e quiçá da Colômbia. Diz a história que foi raptada pelos espanhóis com 14 anos quando do massacre de seu povo, o povo Calamari, na cidade que hoje é Santa Catalina. De posse dos espanhóis, foi catequisada e viveu uma paixão com Pedro de Heredia, fundador de Cartagena. Ambos voltaram juntos para Cartagena e como Catalina aprendeu o espanhol, serviu de interprete entre os índios que viviam ali e os espanhóis.

A figura da Catalina é um pouco controversa: alguns dizem que ela ajudou a colonizar os índios junto com os espanhóis, outros alegam que graças a ela os espanhóis não massacraram a população indígena que vivia ali, sendo ela uma heroína da história (que é a versão mais famosa entre os colombianos). Aliás, não havia comentado ainda, mas o nome oficial de Cartagena é "Cartagena das Índias", justamente por todo esse passado e história (não muito feliz) do povo indígena dali.

A praça onde fica a estátua é num ponto bem bonito e estratégico, que permite observar ao fundo o Castelo de Barajas, mas diziam ser um lugar meio perigoso, então não ficamos muito tempo de bobeira ali, só tiramos umas fotinhos e fomos embora.

Monumento em homenagem à Índia Catalina


Enfim voltamos pro hostel e ficamos no quarto aproveitando o ar condicionado o máximo que deu, até às 15h, horário que estava marcado o nosso free walking tour.

Pra quem não sabe, free walking tour é uma iniciativa extraordinária que surgiu na Europa, nas cidades mais turísticas, onde voluntários, normalmente estudantes de história ou de turismo ou apenas amantes da sua cidade, se oferecem para realizar um pequeno tour pelos principais pontos da cidade, contando curiosidades e fatos históricos dos locais visitados, sem cobrar nada por isso, apenas uma gorjeta voluntária. Com o tempo esse tipo de iniciativa foi se aprimorando. Hoje já existe toda uma indústria de Free Walking Tours, funcionando como se fossem verdadeiras empresas e em quase todas as cidades turísticas do mundo se encontra pelo menos um grupo oferecendo Free Walking Tours. Na Europa então dá até briga pela concorrência. Alguns hoje em dia estipulam até o valor da gorjeta!

Foi a primeira vez que experimentamos um free walking tour, coisa que depois virou rotina nas nossas viagens. Sempre que dá tempo e a cidade oferece nós fazemos. Só uma dica (que quase nunca fazemos): é bom fazer o free walking logo que se chega na cidade, pois os guias sempre te dão várias dicas de lugares diferentes pra conhecer, lugares pra comer e comprar coisas mais baratos, além da forma mais econômica de chegar em certos pontos. Este de Cartagena por exemplo, a guia nos entregou que o lugar mais barato para comprar souvenires era no mercado de rua ao lado da igreja central da muralha, coisa que até já tínhamos descoberto, mas perdemos um bom tempo pesquisando em diversos locais pra isso. Todos os Free Walking Tours que fizemos sempre demos uma gorjeta simbólica, compatível com nosso orçamento, só na Alemanha que não pagamos nada uma vez porque o tour foi muito arrastado e cansativo, e também porque tinha centenas de pessoas pagando euros de gorjeta, então nossa merreca não ia fazer diferença, mas isso comentamos melhor nos futuros posts da Europa.

15h então, nos encontramos com a guia do Free Walk, nós e mais um grupo de gringos, para fazer o tour, em frente à Torre do Relógio.

O tour, que durou aproximadamente duas horas e meia, é muito bem aproveitado. De forma descontraída, percorremos os pontos mais importantes do centro histórico de Cartagena com a guia nos contando diversas histórias e curiosidades da cultura da cidade desde os tempos da colônia.

Turminha iniciando o tour por Cartagena ao fundo a estátua de Pedro de Heredia e Catalina


Entre as curiosidades, a mais interessante diz respeito à arquitetura dos prédios históricos. Praticamene todos possuem uma espécie de "lança" no telhado, que servia segundo as crenças para "afastar as bruxas". As portas das casas também todas (as conservadas) possuem o emblema da família a qual pertenciam, em forma de animais como lobo, serpente, falcão (bem estilo Game of Thrones). Além disso, todas possuem tachões em metal que indicavam a riqueza de quem morava ali (quanto mais tachões, mais rica a família) e uma portinha menor para que os servos entrassem.

Porta com detalhes que indicavam a família e a riqueza de seus donos e a Juju procurando as "lanças" para espantar bruxas no telhado das casas


Fazendo um breve resumo da tarde, começamos pela torre do relógio, onde bem em frente temos o "Portal de los dulces", local que passávamos sempre mas não imaginávamos que é um ponto turístico importante da cidade. Portal onde eram enfileirados e comercializados os escravos, com o fim da colônia se tornou um ponto onde se reúnem todo o dia vários comerciantes de rua que vendem doces típicos de Cartagena, bastante influenciados pela cultura africana. Pudemos experimentar vários doces, mas tudo era bem sem graça. Depois fizemos um tour pelas igrejas e conhecemos um pouco mais da história de cada uma, com destaque para a catedral de Cartagena, onde mais tarde iria ocorrer uma cerimônia de casamento.

Catedral de Cartagena

E por falar em casamentos, depois seguimos em direção ao pedaço da muralha que fica voltada para o mar, a parte onde pode-se subir em cima, onde marcamos presença praticamente em todos os nossos dias em Cartagena, que estava tendo uma sessão de fotos para um casamento. Segundo nossa guia, é normal nos finais de semana os casais fazerem fila ali para sessões de fotos. Contou também diversas histórias bem interessantes sobre essa parte da muralha e da pontezinha que tem ali, mas para saberem vocês terão que ir à Cartagena fazer o Free Walking Tour (não vou dar spoilers mas envolvem até fantasmas).

Caminhar no fim da tarde sobre as muralhas nunca cansa!


Descendo a muralha, seguimos para uma ponta que ainda não conhecíamos, uma esplanada com vários cafés e barzinhos um pouco mais elitizados, encostada na muralha em direção sul onde ficam vários monumentos militares e o museu naval de Cartagena, o qual dizem ser interessante a visita. Em frente ao museu, fica um monumento que é uma réplica da fonte de canaeletes, fonte que se localiza em Barcelona na Espanha e é o local onde a torcida do Barcelona comemora os títulos do clube. Esta réplica foi doada justamente pelo time do Barcelona, que se encantou com a cidade quando veio fazer uma excursão e resolveu presenteá-la com essa fonte que é o símbolo das vitórias esportivas de Barcelona. Em Cartagena, no entanto, nunca se comemorou nada nela, já que o time de futebol de Cartagena é um dos piores da Colômbia hehehe.

Museu Naval e réplica da fonte de Canaletes


Em seguida nos dirigimos para a Plaza Santo Domingo, em frente à igreja de mesmo nome, outro local famoso da cidade com vários barzinhos e mesinhas na rua e local onde saem os passeios de carruagem pela cidade (embora as carruagens estejam sempre rodando e raramente parem ali na verdade), passeios esses que são outro símbolo da cidade murada.

Carruagens passam o dia inteiro dentro da cidade murada


Mas a fama dessa praça se deve mesmo à obra de Fernando Botero que fica em frente a igreja. A escultura "Gertrudis", de uma mulher com formas bastante arredondadas, uma marca do artista, dizem trazer dinheiro para quem passa por ali e "acaricia" os seus seios. Como não somos bobos nem nada, seguimos a tradição, vai que né?

Plaza Santo Domingo e a estátua de Botero "Gertrudis"


Finalizando o tour, seguimos em direção à praça Bolivar, que fica em frente à igreja da inquisição. Neste local era onde eram queimadas as bruxas e enforcados todos os que tinham alguma suspeita de desrespeitar a religião católica e mais tarde foi transformada em uma praça em homenagem à Simón Bolívar. No caminho, na parede lateral da imponente igreja, que hoje é um museu da inquisição em Cartagena, tem um local muito interessante que virou ponto turístico na cidade: a "ventana de la denuncia", ou como disse nossa guia: "a janela da fofoca". Nessa única janelinha que dá para o interior da igreja da inquisição é onde os moradores iam para "alcaguetar" os vizinhos que estivessem praticando ou suspeitos de praticar qualquer ato que fosse de encontro aos costumes católicos. Nem preciso dizer que dessa forma essa janelinha foi responsável por diversas mortes e, apesar da aparência um pouco mórbida, é bastante interessante.

Janela da "fofoca"

Mórbida assim como a própria praça em frente, meio escura e com um ar melancólico, destoando das demais praças de Cartagena. Apesar disso, nesse dia da visita estava rolando no centro da praça uma apresentação cultural que deu uma certa alegria ao local. Vários meninos e meninas dançando a tal da Champeta! Finalmente descobrimos do que se tratava essa dança e essa cultura, com raízes bem africanas mesmo com roupas típicas bem coloridas.

Apresentação de danças típicas


Aliás, outra atração que tem bastante por lá que eu não havia comentado ainda são as mulheres nas ruas vestidas com roupas típicas africanas, lembrando as baianas aqui do Brasil. Todas com roupas bem bonitas e coloridas, elas cobram aquela gorjetinha básica para tirar foto com os turistas.

Ali na praça da inquisição, curtindo a apresentação de Champeta, também foi onde encerramos nosso tour. Nos despedimos da turminha do Free Walk e da nossa guia e demos 30.000 COPs de gorjeta.

Se despedindo da galera. A direita nossa simpática guia do Free Walk


À noite, havia mais uma atividade na nossa lista de coisas pra se fazer em Cartagena, mas essa estávamos meio indecisos se valeria a pena já que iria custar 40 dólares pra fazer: andar de Chiva Rumblera.

Uma coisa bem pega-turista em Cartagena é o tour noturno a bordo de uma Chiva Rumblera, aqueles ônibus coloridões bem caribenhos típicos, aberto dos lados e sem janelas, e o tour consiste em um passeio pelos principais pontos da cidade com duração de mais ou menos 3 horas. Durante o trajeto, uma banda na frente do ônibus vai tocando Rumba e animando os turistas junto com uma iluminação de balada, além do ônibus ser open bar (parece que hoje já não é mais), fazendo dele uma verdadeira festa em movimento.

Mas tivemos a brilhante ideia de perguntar para a guia do Free Walking Tour antes de nos despedirmos se esse passeio valia a pena, e ela foi sincerona, disse que se quiséssemos tomar uns 3 copos de rum com coca-cola quente e aguentar música alta e mal tocada a noite toda, que sim. Ainda disse que no final do passeio todos os ônibus se reúnem num local meio afastado e cada um liga sua música alta pra encerrar a noite em clima de balada a céu aberto, fazendo que tu tenha ainda que gastar com táxi ou uber pra voltar pro hostel.

Facilmente desistimos então dessa ideia, mas mais por causa do preço mesmo, pois deve ser um perrengue divertido (basta levar seu próprio isopor com cerveja).

Resolvemos então ir em direção à muralha apreciar o começo da noite. Antes porém, demos uma parada no Café San Alberto, uma espécie de "rival" do Café Juan Valdez, embora este último seja mais tradicional e menos comercial. No entanto, apesar de igualmente bom, é muito gourmetizado e o Juan Valdez continuou sendo nosso favorito (até hoje).

Café San Alberto


Já noite, fomos dar uma passeada na parte da muralha que se pode caminhar por cima e ver o movimento. Como era uma sexta-feira, o local estava bem movimentado e agradável. Muitas famílias e turistas passeando por ali e com isso também, muitos assediadores. Um que se aproximou da gente começou a contar a história de Cartagena e queria mostrar a muralha pra nós "na parceria". Óbvio que era golpe né e ele iria querer cobrar depois pelo "tour", então não demos muita confiança. Insistente, tentei fingir que não falava espanhol, também que não falava em inglês, e não adiantava, até que fui sincero e disse: "não temos dinheiro", só assim, ele começou a rir e então foi embora hehehe.

Bonito visual das muralhas à noite


Como era nossa última noite na cidade, queríamos aproveitar bastante, então seguimos em direção ao Getsemani. No caminho ainda paramos para observar um casamento que estava acontecendo na Catedral de Cartagena. Como a porta da entrada da igreja dá direto na pracinha movimentada que tem em frente, dá pra praticamente qualquer um que está passando "participar" do casamento. Na praça mesmo são colocadas várias mesas pros convidados, se misturando com as mesas dos outros bares que tem ali em volta.

Casamento rolando


Chegando no Getsemani, este dia, como era uma sexta-feira, estava cheio de gente. Na praça da Santíssima Trindade estava rolando várias atividades: pula-pula pras crianças, aula de dança (Reggaeton, é claro), apresentações de artistas de rua, uma verdadeira festa! Também havia várias barraquinhas com comida de rua a mais do que os dias normais, então aproveitamos para experimentar um cachorro quente, esse sim bem recheado! Estilo os brasileiros.

Bastante movimento no Getsemani


Depois de ficar um tempo curtindo o lugar e cansar e suar só de olhar o pessoal dançando, fomos dar mais umas voltas pelo bairro observar alguns outros grafites que ainda não tínhamos conhecido e comprar cerveja mais barata no mercadinho escondido que se tornou nossa parada obrigatório no Getsemani.

Curtindo mais um pouco o Getsemani


Voltamos bem tarde pra cidade murada e havia ainda bastante movimento nas ruas, bem agradável de se passear.

Se despedindo da noite Cartageneira


Demos mais uma volta então dentro das muralhas nos despedindo da noite Cartageneira. No outro dia partiríamos de ônibus noturno em direção à Medellin.

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