• Ariel Farias

COLÔMBIA 4º Dia - Dando um rolê num vulcão desativado (27/04/2017)

Conforme comentamos no post anterior, este dia tínhamos reservado com uma agência para fazer o passeio para o Vulcão El Totumo, vulcão desativado que fica a uns 50km ao norte de Cartagena, no município vizinho de Santa Catalina.

O vulcão El Totumo é um vulcão desativado de 15 metros de altura que hoje ao invés de lava é todo composto de lama em seu interior (que dizem possuir mais de mil metros de profundidade). Lama essa que possui mais de 50 sais minerais, sendo dessa forma utilizada pelos visitantes para se banhar dentro dele para se beneficiar das suas propriedades medicinais, sendo este o principal atrativo dele (já que como vulcão ele é bem "mirradinho").

Além disso, o local é bem bonito, fica num vilarejo bem pobre com uma vista incrível da lagoa/rio Ciénaga del Totumo que dá pra tomar banho. Diz a lenda que o vulcão foi desativada quando benzido por um padre, que transformou toda lava em lama.

Para chegar lá não tem jeito, ou vai com agência ou aluga um carro, já que fica bem afastado de tudo. O passeio que reservamos foi o "completo", com direito a almoço em uma praia de Cartagena após a visita ao vulcão.

Antes de se dirigir à agência, fomos atrás do nosso café da manhã. Próximo à igreja central sempre víamos umas barraquinhas de comida que de manhã tavam sempre com uma fila de pessoas locais. Fomos experimentar então o que parece ser a comida mais popular do desjejum dos Cartageneiros: Arepas de queijo. Diferente das arepas recheadas que comemos na noite anterior, essas vendidas nas barraquinhas dentro da cidade murada eram mais "pesadas", mais farinhentas, com bastante queijo dentro, lembrando um pouco polenta com queijo, bem bom e bem nutritivo para dar aquela energia para o restante do dia.

Depois do café, seguimos então até a agência que havíamos reservado o passeio. Só tinha nós e outro casal por ali, pensamos até que íamos cair num golpe, mas, depois de uns minutinhos, chegou a atendente, que no fim foi a nossa guia no passeio, e nos levou até o estacionamento que fica em frente à Torre do Relógio. Ali as agências distribuem os turistas entre os vários micro-ônibus que fazem os passeios do dia (por isso que sempre digo que tanto faz a agência que tu reservar o passeio). Nessa "distribuição", é bom ficar ligado. Nós quase que fizemos o passeio para Playa Blanca de novo (já estávamos até subindo na van que ia pra lá), mas no fim a nossa guia se deu conta que tinha nos trocado com o outro casal e deu tudo certo.

O passeio para o vulcão Totumo, apesar de ser um passeio bem divertido e interessante, não está entre os mais procurados de Cartagena, a cada dez ônibus de excursão indo para Playa Blanca, só um ia para o vulcão.

Quase 10h, partimos no Micro-ônibus diretamente para o vulcão Totumo.

No micro-ônibus rumo ao vulcão. No caminho mais visuais bonitos da cidade histórica


No caminho a guia, que era bem divertida, foi contando várias histórias e piadinhas da região. Quando descobriu que tinha brasileiros na excursão então, começou a disparar piadinhas de trocadilhos sobre a palavra ônibus em espanhol (buseta), já viu né? Só estranhamos, não só nesse passeio mas em todos que fizemos, que os guias falam prioritariamente, ou somente em espanhol. Aí fiquei pensando, já que Cartagena é um destino turístico que atrai viajantes do mundo todo, como ficam os que não sabem a língua? Aliás, é uma coisa que notamos na Colômbia, poucos falantes de inglês, assim como pouquíssimas sinalizações e placas em inglês também, estranho para um país tão turístico.

Pouco antes de chegar no Vulcão, já somos avisados de que tudo lá é cobrado "à parte". Nada que oferecerem "na gentileza", não vai ser cobrado depois. Cobram para tirar foto, para guardar suas roupas, para fazer massagem, etc, e se não quiséssemos nada que era só recusar educadamente, mas que a comunidade que reside ali é uma comunidade muito pobre que vive em função dos turistas que visitam o vulcão, então seria de bom grado utilizar algum dos serviços que lá disponibilizam, ainda mais visto que o cobrado era um valor simbólico, uma gorjeta de 2.000 à 5.000 COP por serviço.

Também somos instruídos a já colocar os trajes de banho ali dentro do ônibus mesmo, para ganhar tempo, já que o lugar fica bem lotado e tem fila para subir no vulcão, então a ideia era descer do ônibus direto pras escadarias que levam ao vulcão. Nossa guia também orientou a deixar os chinelos dentro do ônibus, já que com a lama do vulcão as escadas ficam bem escorregadias e também é comum se perder chinelos lá dentro, sugados pela lama movediça. Além disso, o pessoal ali em volta cobra para cuidar dos teus chinelos também.

Todo mundo se trocou então desconfortavelmente dentro do ônibus e já descemos direto em frente às escadarias para subir no vulcão. Com o chão quente e sem chinelos, nem dava pra ficar muito de bobeira ali mesmo e já fomos correndo para a escadaria de madeira, que já tinha uma fila considerável (e na tua cola já um monte de gente oferecendo tudo que é tipo de coisa).

Subindo as escadarias do Vulcão Totumo


Como o espaço é pequeno dentro do vulcão, eles deixam entrar só umas 20 pessoas ao mesmo tempo, e só por 20 minutos, mas ninguém cronometra o tempo, vai mais do bom senso de cada um.

Fila bem considerável já pra entrar no Vulcão


Apesar de pequeno em altura, lá de cima se tem uma bonita vista do lago e da estrada.

Bonita vista do topo do Vulcão


Quando chegou nossa vez de entrar, fomos meio que obrigados a deixar nossa câmera com um dos guris lá em cima pra tirar fotos da gente, já que é bem perigoso perder ela no meio da lama. Tu paga eles só depois, na hora de ir embora.

Bem rapidinho, entramos na lama, e que sensação estranha (mas boa!). Por causa da densidade da lama, é impossível afundar. Por mais que tu tente ficar com a cara dentro da lama, é muito difícil. Apesar da muvuca e do pouco espaço ali, dá pra curtir bastante a sensação e aproveitar. Se não tem propriedades medicinais, pelo menos pra pele dá uma revigorada boa e é muito relaxante!

Nossa vez de entrar na lama!


Lá dentro também ficam vários "massagistas" te puxando querendo fazer massagem em ti. Tem que ficar esperto pra desviar deles, qualquer dois toques em ti já vão querer cobrar a massagem completa.

Apesar de não dar vontade de sair, uns 20 minutinhos depois já fomos levantando âncora para dar lugar pra os outros. Até dá pra ir pro fim da fila e entrar novamente, mas pelo tamanho da fila e pelo tempo da excursão, dificilmente dá tempo.

Na descida das escadas daí tem que ter cuidado pois com a lama fica bem escorregadio.

Uma coisa boa do corpo coberto de lama é que ela funciona como um protetor solar natural, inclusive dá uma amenizada boa no calorão e também nos pés descalços, ajudou a não queimar os pés no chão quente em torno do vulcão.

Enlamacados!


Para tirar a lama do corpo, somos convidados a tomar um banho de rio ali nas margens do Ciénaga del Totumo, um rio com a água bem escura com fundo lamacento. Antes, porém, sentamos numa barraquinha na beira do lago, pedimos duas Águilas e, aproveitando mais um pouco o corpo coberto de lama, finalmente pudemos dizer que se refrescamos do calor de Cartagena. A lama do Totumo realmente dá uma sensação muito boa de relaxamento (dizem que cura artrite, câimbra, torsão, etc, hehehe).

Dentro do rio, ficam umas mulheres com uns baldinhos que se oferecem para ajudar a tirar a lama do corpo (cobrado, obviamente). É até meio invasivo, vimos uns gringos que estavam utilizando o serviço e elas pediam até para eles tirarem a sunga para tirar bem a lama.

Com a lama tirada do corpo no riozinho (mais ou menos), antes de pegar o micro-ônibus para ir embora, o carinha que tirou as fotos pra gente no vulcão e o que vendeu as cervejas vieram nos cobrar bem certinho, não sei como eles lembram da tua cara no meio de tanta gente.

Já início da tarde, a próxima parada do passeio é na praia de La Boquilla, ao norte de Cartagena, para almoço e curtir a praia. Comemos peixe novamente com patacones, sempre com sopa de entrada, num barzinho na beira da praia. Essa praia é bem sem graça (comparada às outras), com uma faixa de areia extensa e meio acinzentada e mar escuro, lembra muito as praias aqui do Rio Grande do Sul, porém o mar é menos revolto. Pouco convidativa para um banho, a maioria dos nossos colegas da excursão ficou pelo barzinho mesmo conversando, fomos um dos poucos que foi conferir a praia e dar uns mergulhos. Aqui também somos avisados antecipadamente sobre as mulheres oferecendo massagens na beira da praia, que não pode deixar elas encostarem em ti se não já vão querer cobrar.

Praia de La Boquilla


Meio da tarde então, somos chamados para o ônibus para retornar para a torre do relógio. Na volta, em frente da torre do relógio, já retornando pro hostel, vimos um pessoal oferecendo Free Walking Tours e deixamos reservado para fazermos o tour no outro dia, já que naquele dia ali o tour seria em espanhol e naquela época ainda achávamos mais fácil o entendimento em inglês.

De volta ao hostel, tomamos um banho para tirar o resto de lama do corpo (é bem difícil até sair tudo mesmo) e ficamos um tempo na sacada do hostel relaxando curtindo um Reggaeton na tv e tomando umas Club Colombias esperando chegar a noite.

Se gelando na sacada do hostel

À noite, rumamos para o Getsemani. Antes porém, fomos procurar um bar para ver o jogo do Grêmio, que àquela noite estaria enfrentando o Guarani do Paraguai pela Libertadores. E não foi difícil achar, bem na praça em frente à torre do relógio, estávamos tirando umas fotos dos prédios históricos bem bonitos que tem por ali, entre eles o Teatro Colón, um importante teatro que data da época da colônia (e que hoje infelizmente está meio neglicenciado) e, bem na esquina da rua que segue para o Getsemani encontramos um bar e conseguimos assistir um pouco do jogo.

Teatro Colón, próximo à entrada da muralha e paradinha para assistir o jogo do Grêmio


Já no Getsemani, na praça da Santíssima Trindade, nessa noite ela estava com bem menos movimento. Não sei se devido a isso, mas tinham uns policiais fazendo batida por ali aquele dia e, pelo que tínhamos observado, estavam encrencando com quem estava consumindo bebidas alcoólicas na praça. Com receio de virem nos incomodar, tratamos de esconder nossas cervejas com sacolas de papel (como se eles não fossem saber o que tinha dentro), hehehehe.

Tomando uma cerveja "escondido"


Como a praça estava meio deserta, saímos para caminhar pelo bairro. Encontramos uma rua bem "demolida", várias casas destruídas, que o pessoal aproveitou para utilizar as paredes dos escombros para fazer grafites muito bonitos.

Grafites do Getsemani


Fechamos a noite num restaurantezinho barato que achamos ali pelas ruas de dentro. Jantamos praticamente o mesmo prato de sempre dos almoços (sopa de entrada, prato principal com uma carne, arroz e salada e suco horrível de doce) e voltamos cedo pro hostel.

Parada pra janta antes de fechar a noite

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