• Ariel Farias

COLÔMBIA 13º Dia - Passeando em Johnny Cay e Acuario (06/05/2017)

Além da volta de carrinho na ilha, outro passeio turístico dos mais procurados de San Andrés é conhecer as ilhas de Johnny Cay e o Acuário, este último que se localiza ao lado da Haynes Cay.

Johnny Cay, cujo nome oficial é Islote Sucre, bem como Haynes Cay, tratam-se de Cayos (Cay em inglês), palavra de origem antilhana para denominar pequenas ilhas formadas na superfície de um arrecife de coral com praias de baixa profundidade. Este tipo de formação é muito comum em ambientes tropicais como o Caribe e também no oceano pacífico.

Novamente tomamos nosso café da manhã e fizemos uns sanduíches a mais para levar de almoço, agora tendo certeza que não iríamos encontrar opções baratas para almoçar durante o passeio. Como estes cayos tem entrada e permanência limitadas, para chegar lá é somente com passeios turísticos. Todo hotel e hostel em San Andrés oferece este passeio mas, pra evitar pagar alguma taxa ou comissão a mais, fomos direto no píer da Marina Tonino comprar o passeio diretamente nos guichês de venda do passeio. Os barcos saem a partir das 9h de 15 em 15 minutos e são muitos, não sendo necessário comprar com antecedência.

É possível fazer o passeio só para Johnny Cay ou só para o Acuário, mas como essas ilhas são minúsculas e para economizar, resolvemos fazer o passeio padrão e mais procurado sempre, que é: visita à Johnny Cay de manhã e visita ao Acuário à tarde. Pagamos na época 25.000 COPs cada um este passeio. Este valor dava direito somente ao transporte de barco para Johnny Cay e Acuário e mais nada. Vende-se na Marina, por 10.000 COPs a mais, a versão que chamavam de "VIP" deste mesmo passeio que, além do barco, dava direito à guia e um passeio extra no final, aos manguezais de San Andrés. Como no horário que chegamos éramos os únicos que havíamos comprado o pacote "básico", a moça do guichê acabou nos encaixando com um grupo VIP sem cobrar nada a mais (um "upgrade" gratuito). Ficamos bem felizes com a noticia, mas depois percebemos que o tal de passeio VIP não tem quase nenhuma diferença do passeio padrão, sendo apenas uma forma de arrancar dinheiro a mais dos turistas. O guia na verdade é um carinha que, ao chegar na ilha só explica em 5 minutos a logística do passeio (horário de almoço, hora de saída, etc), e o passeio aos manguezais qualquer um consegue fazer lá no fim, só entrar num barco que vai para lá (por isso que a moça nos encaixou no passeio VIP sem hesitar).

9h então partimos de barco rumo à Johnny Cay, trajeto que dura só uns 20 minutos e que faz tu já chegar lá já encharcado com a água que o barco levanta, o que é tri bom pra ir espantando o calor.

Partindo para Johnny Cay


Chegando na ilhazinha, o "guia" reúne então o pessoal e passa as instruções: horário de saída da ilha, onde dá pra almoçar (apesar de minúscula, tem vários restaurantezinhos pequenos por ali) e que para almoçar já teria que pedir o prato agora para dar tempo do pessoal preparar até o meio-dia, em torno de mais ou menos 20 reais o prato, explica um pouco sobre a formação do caio e era isso, já nos libera pra curtir a ilha. Fim do serviço de guia. Como já tínhamos providenciado nosso próprio "almoço", pegamos nossa canga e corremos então para curtir a praia, e aí, que espetáculo!

Johnny Cay!


Em torno de toda a ilhota ficam várias formações corais entre a areia e o mar que acabam formando piscinas naturais cristalinas sensacionais, arrisco a dizer que são as praias mais bonitas de toda San Andrés.

Piscinas naturais que se formam no Caio


O lado leste da ilha (se considerar que o local onde atracam os barcos é o sul), é a melhor parte, onde ficam as piscinas maiores que dá pra ficar horas boiando e curtindo e, apesar de bem rasinho, dá pra fazer snorkel e avistar alguns peixinhos e ouriços.

Olha a transparência dessa água!


Estendemos nossa canga embaixo de um coqueiro por ali e estacionamos, junto com nossos sanduiches e uma sacola com gelo e umas cervejas que levamos para o passeio.

Passando trabalho!


O único cuidado que tem que ter são com os vários lagartos que habitam o lugar. Bem pequenos e ligeiros, eles estão acostumados com as pessoas e às vezes entram nas tuas coisas que ficam na beira da praia e roubam tua comida sem tu nem perceber. Encontramos vários, inclusive uns de coloração azulada bem bonitos!

Bichinho traiçoeiro

Depois fomos conhecer o entorno da ilha. Em menos de meia hora dá pra dar a volta em toda ela. Somente no ponto oposto de onde atracam os barcos (que seria o norte) não possui faixa de areia, então tivemos que dar uma atalhada por dentro numa mini trilha bem bonita em meio aos coqueiros. Essa parte conta com o dobro de lagartos perambulando por ali. No lado oeste e no local onde atracam os barcos, o mar é mais aberto mas igualmente calmo e transparente, permitindo mergulhar tranquilamente. Por ali deu até pra avistar algumas arraias de snorkel!

Mais umas fotinhos


Os barcos começam a chamar o pessoal para ir embora lá pelas 13h, ou seja, ficamos umas 4h na ilha, tempo mais que suficiente para curtir ela bastante, quase a ponto de enjoar, hehehe.

Quando chegam os barcos no entanto, é uma muvuca desgraçada. Os barcos são todos iguais e é bem difícil no meio da bagunça tu achar o mesmo que te trouxe. No meio da "fila" que se formou, uma das guias gritou que tinha dois lugares sobrando num barco e acabaram nos colocando nesse mesmo, só precisamos apresentar o recibo da compra do passeio para embarcar. No fim tanto faz o barco que tu pegar, já que todos vão para o Acuário mesmo.

O Acuario sim fica um pouco longe, o barco demora uns 50 minutos para chegar na oficialmente denominada Islote Cordoba:

Islote Cordoba, popularmente conhecido como Haynes Cay, é outra formação coral que fica a leste da ilha de San Andrés. A grande atração que atrai os turistas e ponto principal deste passeio não é o caio em si, mas as piscinas naturais que ficam a mais ou menos 100 metros dali, com águas reprisadas por várias paredes de corais, formando um verdadeiro aquário, com muita vida marinha para se observar.

O Acuario e Haynes Cay é a ilha que se avista da praia de Rocky Cay em San Andrés, bem próxima aos navios naufragados. A maioria dos turistas nem chega a pisar em Haynes Cay, fica só na parte do Acuario mesmo.

O barco desembarca ali no Acuario, num minúsculo pedaço de areia (que não dá pra chamar de ilha) onde cabem só umas barracas que alugam snorkel, coletes, e armários para guardar os teus pertences, já que não tem faixa de areia ali para deixar as coisas (pelo menos não suficiente para todo o povo que desce ali).

Minúscula "ilha" onde atracam os barcos para a visita ao Acuário

Nessa hora vimos como foi útil ter comprado a mochila à prova d´água na Tailândia a uns meses atrás! Pudemos levar nossas coisas conosco todo o tempo sem correr o risco de molhar e assim economizar uns 10.000 COPs não tendo que utilizar o guarda-volumes.

Waterproof bag sendo posta em ação!

Outra coisa bem importante que nós não tínhamos mas é muito recomendado por ali são os sapatos para entrar no mar (sapatilhas aquáticas), pois ali ficam muitos ouriços e a probabilidade de pisar em um é bem grande, mas encaramos com nossos chinelos mesmo e bastante atenção e não foi necessário alugar um e correr o risco de pegar uma frieira.

Ouriços traiçoeiros que ficam em meio aos corais

Prontos então, seguimos em direção ao Acuário. Outro lugar fantástico! São vários "tanques" com água pela cintura, que parecem até feitos de propósito, delimitados simetricamente por barreiras de corais onde ficam vários peixes diferentes, ouriços, moreias, e até arraias.

Acuário de San Andrés


Aliás, um dos "serviços" que o pessoal que fica por ali oferece é observar as arraias: um mergulhador pega uma arraia no fundo do mar e traz na mão para os turistas darem uma olhada. Nem preciso dizer que não fomos nessa e repreendemos totalmente esse tipo de turismo exploratório.

Ficamos fazendo snorkel entre os diversos "tanques", um com mais peixes que o outro. Para passar de um para outro você tem que atravessar as paredes de corais, e é aí que se corre o risco de se pisar em um ouriço, já que ficam vários no meio das pedras, uns bem grandes. Mas é só olhar bem aonde pisa que não tem perigo, já que a água é cristalina.

Os mergulhos no Acuário são espetáculares!


Depois do Acuário, fomos dar uma conferida na ilha Haynes Cay. Para se chegar lá, dá pra ir caminhando por um banco de areia. Dá pra ir nadando também, porém o perigo ali é pisar numa arraia, já que tem muitas por ali.

Haynes Cay é a metade do tamanho de Johnny Cay, mais "descampada" e sem faixa de areia, mas bem charmosa, vale a pena dar uma conferida sim.

Haynes Cay (ao fundo da primeira foto, a ilhazinha onde fica o Acuário)


No centro da ilhota fica somente um bar de Reggae com cervejas super faturadas. Como não é sempre e o clima estava espetacular, topamos pagar 3.000 COPs por umas long necks pra tomar ali na beira da ilha, observando aquele paraíso. Uma hora tivemos a companhia de um pelicano também, que fez a alegria da turistada, pescando uns peixes por ali.

Pelicano nos fazendo companhia para tomar nossas águilas


No Acuário sim, daria pra ficar tranquilamente bem mais tempo por ali curtindo mas, chegando a hora da saída dos barcos, fomos retornando para o local de embarque. Na volta conseguimos pegar o mesmo barco da vinda, mas poderíamos ter entrado em qualquer um pois não pediram documento nenhum para embarcar.

Como o nosso passeio era o "pacote VIP", ainda tínhamos mais uma parada, os manguezais de San Andrés. No caminho passa-se bem perto dos navios naufragados que ficam em torno da ilha. Acontece que San Andrés fica circundada por uma enorme barreira de corais, a terceira maior do mundo, e esses navios ou não sabiam, ou tentaram atravessar a barreira e não conseguiram (caso das centenas de embarcações ilegais que tentam entrar na ilha todo ano, grande maioria para o tráfico de drogas), ficando encalhados nos corais sem chance de resgate. Inclusive, um deles, o maior e mais famoso dali, o guia do passeio nos contou umas histórias de que este seria um navio mal assombrado (pelo jeito o pessoal de San Andrés gosta que tudo seja mal assombrado...).

Navio encalhado "assombrado"

Também a barreira de corais é a proteção que faz com que San Andrés conte com águas calmíssimas e transparentes em suas praias bem como impeça a passagem de tubarões vindos do oceano atlântico, tornando muito mais seguro o mergulho dos visitantes da ilha. Adentrando no manguezal, que fica ao norte bem próximo da praia de Rocky Cay, parece que estamos em um lugar completamente diferente, tipo uma Amazônia ou coisa assim, e não mais no caribe.

Manguezais de San Andrés, ou "manglares" em espanhol


É lá que foi filmado o filme "Anaconda", com a Jennifer Lopez, o que ajudou o local a se tornar um destino turístico em San Andrés, apesar do filme ter sido um fracasso.

E ao final dos manguezais, chega-se no curioso "posto fronteiriço" da Colômbia com a Nicarágua. Ficamos nos perguntando porque um posto fronteiriço com a Nicarágua e por aqui ali nos meio dos manguezais? Acontece que, como explicou o guia do passeio, essa é uma rota muito utilizada por embarcações transportando drogas da Colômbia para a Nicarágua. Como a ilha fica próxima deste país, as embarcações provenientes da Colômbia acabam utilizando San Andrés como ponte para ingressar na Nicarágua de forma facilitada, sem ter que atravessar os diversos países que ficam entre os dois no continente. Como forma de frear esse tráfico, o governo nicaraguense decidiu instalar um posto fronteiriço na ilha, no exato local utilizado pelos traficantes para o transporte de drogas, visto que como os manguezais são uma passagem mais "escondida" e com águas mais profundas, ali é o local mais utilizado por esses traficantes para adentrar na ilha. Em frente ao posto inclusive, ficam vários barcos "naufragados" que dizem ser todos barcos utilizados para o transporte de drogas que foram abatidos pelos guardas da fronteira e que ficam ali expostos para servirem de alerta para os traficantes que ousarem passar por ali.

Posto fronteiriço da Nicáragua e em frente os barcos supostamente de traficantes abatidos


Infelizmente, chegamos então ao fim do passeio de dia inteiro. Voltamos pro hostel dar uma descansada e, à noite, pra variar, fomos dar uma voltinha de leve na rua Peatonal olhar o movimento e dar uma passadinha nos free-shops. Cansados do dia inteiro de passeio, voltamos cedo pro hostel pra dormir.

Passeadinha básica na noite no centrinho de San Andrés (como dá pra ver na foto, a influência rastafari na ilha é muito grande)

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