• Ariel Farias

ÁFRICA DO SUL 3º Dia - Mais um dia no Kruger Park! (16/11/2017)

Com aquela chuvinha gostosa caindo a noite toda somada ao conforto absurdo das camas do nosso Safari Tent, a ideia de acordar de madrugada para ver o nascer do sol no parque foi pro saco. Até porque os portões do camping só abrem depois que o sol já nasceu mesmo. De qualquer forma, felizmente o sol voltou a mil e, assim que acordamos, montamos uns sanduiches para fazer nosso desjejum no caminho e já pegamos a estrada curtir mais um dia de safari!

Antes de sairmos, demos uma passada na recepção do Skukuza, já que ali na parte de fora, ficam vários quadros que durante todo o dia o pessoal do parque fica marcando num mapa a localização onde encontrou determinados animais nos dias anteriores e no próprio dia. Como o preenchimento do quadro é "self service", não dá pra se guiar muito, mas ajuda mais ou menos para saber onde encontrar cada animal.

Quadros na recepção do Skukuza onde tu pode marcar onde tu viu os animais. Cada cor equivalendo a uma espécie de cada.


Seguimos naquela manhã em busca do Leão, que era o pontinho vermelho ali no mapa. De longe o mais procurado por todos! Logo de cara próximo ao portão, a Juju avistou uma "bundinha" grande no mato. Paramos para olhar e era um Búfalo! Que animal magnífico! E agora só faltava o Leão para fecharmos os Big Five!

Búfalo africano. Que animal incrível!


Seguimos depois para uma área mais afastada, de estrada de terra, seguindo o mapinha aquele da recepção, em busca do Leão. Neste caminho, encontramos um grupo grande de zebras e, entre elas, uma Girafa. Como os dois são "comida" de predadores carnívoros, é normal andarem juntas em bandos para se protegerem mutuamente (ou diminuir a probabilidade de serem devoradas).

Zebras e uma Girafinha aproveitando a companhia


Por ali também avistamos pela primeira vez um Antílope! Outro animal bem interessante.

Antílope no meio dos arbustos


Mais adiante então, nos deparamos com vários carros parados na beira da estrada, entre eles um 4x4 de game drive do parque, sinal que tinha algum animal por ali! Só que olhamos para o lado que eles estavam tudo virados e não vimos nada. Conseguimos perguntar para o ranger que estava no 4x4 e ele apontou para nós lá bem atrás de umas árvores, uma família de leões. Infelizmente, eles estavam bem longe e bem difícil de enxergar no meio da mata. O macho estava dormindo, então só se via o barrigão subindo e descendo da respiração do bichano. A fêmea é que de vez em quando dava uma caminhada e conseguíamos vê-la entre os galhos. Não sei se essa contou, mas se contou, fechamos então no segundo dia, os Big Five!

Vendo que os Leões não iam sair dali tão cedo, seguimos agora para o lago que havíamos ido no dia anterior durante o game drive, ver se conseguíamos agora ver algum crocodilo ou hipopótamo.

Como o clima estava espetacularmente agradável ali na beira do laguinho, com uma vista sensacional, aproveitamos para dar uma relaxada e fazer nosso café-da-manhã, esperando ver se aparecia algum bichano.

Dando uma relaxada


Novamente estavam lá os dois "montes" no meio da água, o que ajudou a corroborar nossa tese de que se tratavam de duas pedras, e não hipopótamos, mas não conseguimos realmente descobrir. Deixamos aqui a foto para que vocês decidam por si mesmos:

Serão hipopótamos ou pedras?


No fim não apareceu nenhum hipopótamo ou crocodilo, mas conseguimos ver vários pássaros bem bonitos por ali.

No fim da manhã, começamos a fazer o caminho de volta para o Skukuza. No caminho ainda nos deparamos com uma manada de elefantes. No começo vimos um passando, depois dois, três, e quando vimos tinham dezenas de elefantes atravessando a rodovia! Incluindo os fofíssimos filhotes elefantes.

Manada de elefantes


Mas o mais engraçado é que tinha um macho que ficou para trás que estava furioso, gritava e quebrava os galhos das árvores enlouquecido, deu até um certo medo. Parecia que tinham deixado ele lá de castigo hehehehe.

Elefante furioso que ficou para trás


Voltando ao acampamento, seguimos até o supermercado decidir o que iriamos comprar para almoçar. Como o clima estava muito agradável ao ar livre neste dia, tivemos então a melhor ideia possível: fazer um churrasco, ou melhor, um "braai"!

Para quem não sabe, os sul africanos são fissurados pelo braai, o churrasco deles. Não existe casa que não tenha uma churrasqueira ou encontro social em que não role um braai.

Tanto negros como brancos, ricos ou pobres, o braai é a comida (ou seria um evento?) número 1 disparado do país. A diferença do churrasco deles para o nosso aqui, pelo menos no Rio Grande do Sul, é que é sempre feito numa grelha ao invés de espetos, utiliza-se carnes magras que são sempre muito bem passadas, inclusive assadas no meio das labaredas ao invés de só com o calor do carvão, e os acompanhamentos são normalmente o pap e o "chakalaka", outro prato típico sul africano delicioso que irei comentar melhor daqui a alguns posts. Todas as acomodações no Kruger e os camp sites contam com uma churrasqueira já com grelha para o pessoal fazer o seu braai e, você percebe que a maioria dos visitantes do parque são estrangeiros porque você não vê quase ninguém fazendo um.

Decididos então, fomos conferir as carnes disponíveis no supermercado. Como já mencionei, não se encontra aqueles pedaços enormes de maminha ou vazio, são todas carnes magras, maioria em formato de bifes. Como não encontramos nada com um preço muito agradável em comparação à cara das carnes, compramos somente carne moída para fazer uns hambúrgueres, pão e umas linguiças boerewors (para fazer o tradicional "salchipão" gaúcho).

Carne moída. A carne na África do Sul não é muito barata, mas hoje com certeza deve estar mais barata do que no Brasil.


Outro problema é que a cabana não fornecia talheres nem pratos, então tivemos que comprar, totalmente à contragosto, pelo menos um par de talheres descartáveis para nos auxiliar no braai.

Iniciando a função, apanhamos bastante para conseguir fazer o fogo. O carvão (pelo menos o vendido no Kruger) é um carvão vegetal bem diferentão, que vem em bolotas que não pegava fogo e nem soltava aquela fumaçeira toda a que estamos habituados. A Juju quase morreu de tanto soprar para pegar brasa mas depois de uns 30 minutos, deu certo! Em compensação, o carvão dura muito, tanto que quando chegamos à noite ainda tinha brasa (e conseguimos fazer mais um braai).

Foi difícil mas saiu o fogo!


Feito o fogo, aproveitamos então nosso churrasquinho africano, aqueles momentos simples mas que entram para a história. Nem nos meus sonhos mais loucos eu imaginaria que um dia iria fazer um churrasco do outro lado do oceano!

Grande churrasquinho!


Nos acompanhando no Braai, bonitos pássaros azulados, que ficavam bem à vontade ali no acampamento, chegando bem perto da gente sem medo. Fui pesquisar depois que espécie era e só encontrei o apelido: "pássaro azul-orelhudo".

Pássaro "azul-orelhudo"

Depois do almoço, nos preparamos para dar mais uma volta de carro no parque. Antes porém, fomos só conferir rapidinho como era a piscina do Skukuza. A piscina é bem grande, dividida a parte das crianças e dos adultos, mas parecia meio abandonada. Na hora que fomos não havia ninguém por ali e, como o clima deu uma fechada e começou a esfriar, estava pouco convidativa. Acho que pelo jeito ninguém quer perder minutos preciosos de safari no Kruger Park dentro de uma piscina (a não ser que você tenha muito tempo sobrando para aproveitar). Em volta da piscina umas árvores muito interessantes cobertas com umas "bolotas" (seria uma fruta?) nos troncos e galhos, lembrando muito a jabuticaba aqui do Brasil. No fim não soubemos que fruta era, se é que é uma fruta.

Piscina do Skukuza


Conhecida a piscina do camping, seguimos para mais um safari no Kruger, ou mais comumente chamado: "self game drive". Dessa vez seguimos para um caminho oposto ao da manhã, costeando o Sabie River em direção leste. Esse caminho é bem bonito, no meio de uma mata mais fechada e com alguns pequenos morros, de vez em quando cruzando o rio em pontes e com várias"saídas" em chão de terra em meio aos arbustos para observar os animais mais escondidos. Pena que nesta época a África do Sul estava passando por um período de seca, com o nível do rio bem baixo. Espantando um pouco os animais que normalmente o utilizam para beber água.

Caminho costeando o Sabie River. Rio praticamente inexistente nessa época


Nesse caminho vimos só alguns animais pequenos, como um jabuti, um porco espinho muito engraçadinho e uma simpática família de passarinhos atravessando a estrada bem de boa. Ah, e também os impalas, mas esses estão por toda parte sempre!

Tartaruga, Sonic, Impalas e uma família de passarinhos atravessando tranquilamente a estrada


Tivemos também por ali nosso primeiro momento "national geographic" da viagem: um urubu fazendo a festa com a carniça de um animal morto na beira da estrada. O problema é que quando chegamos mais perto, ele ficou com vergonha de comer na nossa frente e deu uma "disfarçada", voando para um galho de árvore próximo.

Natureza selvagem


Seguimos até o paradouro "Nkuhlu Picnic Site" e, embora este estivesse passando por reformas, aproveitamos para esticar as pernas e usar o banheiro antes de começar a fazer o caminho de volta para o Skukuza. O tempo começou a nublar novamente e ficamos com medo de pegar chuva na estrada. Bem na saída do picnic site ainda, encontramos novamente os "temíveis" macaquinhos. Temíveis porque eles são os animais que mais gostam de "interagir" com os visitantes, seja subindo no carro, roubando alguma coisa se deixar uma frestinha de janela aberta ou jogando coco na gente (uns amores), sendo assim, é melhor encontrar um leão na tua frente do que estes bichinhos (dentro do carro, óbvio). Mas estes, pra nossa sorte, estavam preocupados com alguma outra coisa na mata e nem nos deram bola.

Os temidos macaquinhos


Com o tempo nublado, novamente perdemos o por-do-sol na savana, e como seria nossa última noite no Kruger, ficamos sem esse momento. De volta a nossa cabana, vimos que a churrasqueira ainda estava quente, e não é que demos uma soprada para reativar a chama e o carvão que tinha sobrado pegou brasa de novo? Vendo também que as nuvens se dissiparam e não havia sinal de chuva, novamente saímos correndo para pegar o supermercado aberto, compramos uma linguiça e umas cervejas e fizemos mais um braai para a janta!

Mais um churrasquinho à noite


Com o tempo abrindo, antes de ir dormir ainda pudemos acompanhar à noite um céu estupidamente estrelado no acampamento, coisa mais linda.

6 visualizações0 comentário