• Ariel Farias

ÁFRICA DO SUL 11º Dia - Conhecendo as praias da Cidade do Cabo (24/11/2017)

Infelizmente, chegara nosso último dia na Cidade do Cabo. Este dia guardamos para "pegar uma praia", e coloco pegar uma praia entre aspas porque, para quem não sabe, a Cidade do Cabo fica na mesma linha de longitude do Uruguai, ou seja, final de novembro, ainda estava meio frio para curtir uma praia por lá, então a ideia era só conhecer mesmo as praias e nem se preocupamos em levar roupas de banho para o passeio.

Nosso itinerário planejado era ir de ônibus até a parada Breakwater, a mesma que havíamos descido para ir no V&A Waterfront, e ir descendo caminhando pela orla passando por toda a costa oeste de Cape Town. Praias de Sea Point, Clifton Beach e terminar o dia curtindo o pôr-do-sol na praia de Camps Bay, que diziam ser espetacular. No google maps parecia ser uma caminhada razoável (achávamos). Como a ideia era ver o pôr-do-sol, deixamos para começar o passeio de tarde. Pela manhã aproveitamos para arrumar nossas coisas e fazer algumas coisas burocráticas como trocar dinheiro pro restante da viagem. Quanto a isso, não encontramos casas de câmbio em abundância na cidade como as demais cidades turísticas que conhecemos. O pessoal do hostel nos indicou o Western Union no shopping em frente ao hostel, mas não achamos a cotação deles boa. Sendo assim, fomos procurar um banco para trocar dinheiro, e encontramos um Standard Bank, banco bem conhecido na África do Sul, a umas duas quadras do hostel, na Thibault Square. Esse banco sim tinha uma cotação bem boa e trocamos o que acreditávamos ser suficiente para todo o resto da viagem, visto que não sabíamos como seriam as próximas cidades que visitaríamos. O único problema é que, como banco, tem que levar o passaporte para fazer o câmbio, o que em cidades grandes nunca é bom ficar andando com ele na rua (além de todo o dinheiro em si né).

Depois do almoço então, pegamos o ônibus e descemos na parada Breakwater onde começamos a caminhada costeando o oceano atlântico. Passando o local onde fica o Estádio Greenpoint, um dos estádios que foi sede da Copa do Mundo de 2010, começa a parte das praias na orla conhecida como Seapoint. Essa primeira parte da orla não possui faixa de areia, ela é toda com conchinhas e pedras, inclusive com algumas partes bem largas que permitem caminhar por cima das pedras e chegar bem junto ao mar.

Orla do Seapoint


Em compensação, o calçadão à beira mar é muito bonito e agradabilíssimo, limpo e equipado com playgrounds, quiosques, bancos e gramados pro pessoal sentar e aqueles aparelhos de ginástica que sempre tem nos lugares públicos, fazendo dali um dos lugares mais procurados pelos locais para caminhar e praticar esportes. Isso tudo com os belíssimos morros ao fundo como a Lion´s Head e o Signal Hill.

Calçadão do Seapoint


Lembrando que essa parte não é a mais, mas é uma das zonas mais ricas da cidade. Fazendo uma comparação, pode-se dizer que seria a praia do Leme da Zona Sul do Rio de Janeiro, já começando a aparecer muitos prédios chiques e alguns carrões (além de muitas pessoas brancas).

Ruas do Seapoint, bem diferentes do que estávamos acostumados


Mais ao sul, chega-se na primeira praia com faixa de areia, a Milton Beach. Como já comentado, nessa época do ano o clima ainda não estava muito pra praia por lá, então a praia estava totalmente vazia na faixa de areia.

Mas independente da época do ano, uma das principais características das praias da África do Sul é que a água é sempre muito fria, então mesmo no verão é muito difícil ver muita gente tomando banho de mar por lá. Por causa disso, os sul-africanos da Cidade do Cabo tiveram uma ideia genial: construir piscinas públicas na beira da praia! Passando Milton Beach chega-se em uma delas, a Seapoint Pavillon Swimming Pool. Quando lemos sobre isso não levamos muita fé que fossem piscinas boas, afinal, no Brasil, quando se pensa em piscina pública o que vem a cabeça são aqueles lugares tenebrosos, lotados e cheios de xixi de criança. Mas quando chegamos nessa piscina... nossa! Parecia um parque aquático! São várias piscinas de vários tamanhos e com aquele visual da praia, sensacional! Se arrependemos amargamente de não ter trazido roupas de banho...

Arrependidos de não ter trazido roupas de banho...


Dentro da área das piscinas fica um termômetro informando a temperatura da água do mar e das piscinas, essa última uns 15 graus mais quente que a primeira. Se paga um valor para usá-las, mas lembro que era um valor bem baixo, em torno de 15 reais por pessoa e ainda podia-se alugar toalhas. Para nós de qualquer forma, restou ficar só observando e morrendo de inveja do pessoal se divertindo.

Seguindo adiante, passamos por mais algumas pequenas praias como a Sunset Beach e a Queen´s Beach, também muito bonitas. Chegando na Queen´s Beach, percebemos que ir caminhando até Camps Bay não ia rolar. Ali era metade do caminho e já estávamos bem cansados, com a dor nas pernas da trilha da Table Mountain voltando a nos atormentar. Sendo assim, seguimos bairro adentro encontrar uma parada para continuar o trajeto de ônibus. Fomos seguindo a Queen´s Road, uma rua íngreme que começava numa rótula lá na beira mar com um visual bem bonito da Lion´s Head.

Bonito visual subindo a Queen´s Road


Nesse trajeto, bem na rótula dessa rua com a Regent Road, vimos um pub meio escondido aberto e resolvemos entrar para dar uma descansada e "se hidratar". E valeu muito a pena parar nesse barzinho estranho. Nunca fui à Inglaterra, mas acho que dá pra dizer que o Pub esse era um tele transporte pra lá. Desde o tio estereotipado que atendia, as cervejas vendidas em "Pints" direto da torneira e servida no balcão e toda a temática do bar com televisões transmitindo jogos de Rugby e tocando ACDC de fundo, tudo lembrava aquilo que se entende por um típico pub inglês.

Típico pub inglês na Cidade do Cabo


Depois vimos que esse tipo de pub de influência inglesa é muito comum na região branca da África do Sul, mas esse em especial foi o mais estereotipado que nós entramos, muito bizarro.

Dali pegamos o ônibus do MyCiti número 109 em direção à praia de Camps Bay. No caminho passamos por outra praia bem conhecida que é a Clifton Beach. Essa praia é meio estranha, ela fica num nível bem abaixo da estrada que margeia o oceano, sendo acessível somente por escadarias. Também é dividida em várias enseadas não interligadas, separadas por pedras, cada uma reconhecida por um número (Clifton Beach 1, Clifton Beach 2...) e a entrada nelas se dá por umas "entradinhas" que dão acesso às escadarias, parecendo até que são praias particulares.

Em Camps Bay, descemos bem no começo da praia para ir caminhando por toda orla. Essa praia é a mais com "cara de praia" mesmo, com uma faixa de areia bem larga com bastante espaço para estender sua canga e abrir o guarda-sol e só curtir, além de partes com gramados e bancos para quem não curte muito ficar cheio de areia.

Camps Bay


Essa também é disparada a praia mais ostentação da cidade (seria o Leblon de Cape Town?), com muitos carrões e prédios chiquérrimos, parecendo que estávamos em outra cidade.

Mas o que mais chama a atenção e o que faz da visita a Camps Bay imperdível é a vista da cadeia de montanhas conhecidas como "os 12 apóstolos" ao fundo que é sensacional.

12 apóstolos ao fundo de Camps Bay


Tiramos nossos tênis então e fomos dar uma caminhada na praia, aproveitando para molhar os pés e confirmar que realmente a água do mar na África do Sul é muuuuuito gelada!

Botando os pés na areia


E quando finalmente pudemos dizer que estávamos curtindo uma praia, começou então de repente aquela ventania que fazia todas as tardes, só que, lá na beira, parecia que o vento estava 10 vezes mais forte do que nos dias anteriores, com a areia literalmente nos cortando as partes do corpo descobertas.

Essa hora já estávamos com quilos de areia nos bolsos

Sem mentira nenhuma, botou no chinelo o "vento nordestão", famoso aqui nas praias do Rio Grande do Sul por infernizar a vida dos banhistas. Em poucos minutos, os bolsos dos nossos casacos e calças ficaram com quilos de areia trazida do vento e ficou praticamente impossível ficar na beira da praia. E o pior que o vento não diminuiu um segundo até o começo da noite.

Sendo assim, fomos nos refugiar no calçadão junto à Victoria Road. Por ali ficam vários bares elitizados, com direito a uma franquia do Hard Rock Café. Todos locais somente frequentados por pessoas brancas de olhos claros com roupas de marca (e cortes de cabelos) caríssimos.

Calçadão de Camps Bay


Os preços dos drinques nesses bares até que não eram muito caros comparados ao padrão brasileiro, pelo contrário, haviam promoções de 2x1 de amarulla entre outros, bem em conta, mas não nos sentimos muito à vontade para entrar em nenhum deles (muita ostentação pro nosso gosto). Decidimos então conferir um supermercado Pic n Pay Express que tinha por lá. Esse sim, tinha preços bem mais caros que os Pic n Pays "normais", mas como na África do Sul é proibido beber nas praias, compramos só uns salgadinhos e um refri, mais para fazer tempo mesmo dentro do super e fugir um pouco do vento cortante.

Faltava muito tempo ainda para o pôr-do-sol e o vento continuava insuportável mas, sendo nossa última noite em Cape Town, não íamos perder por nada, então se abrigamos junto a parede de uma piscina pública que tinha por lá que deu uma leve "amenizada" no vento cortante e ficamos observando os patinhos que estavam passeando por ali.

Quase congelados já e com quilos de areia nos bolsos


19 horas e pouco então, enfim a recompensa! O belíssimo pôr-do-sol em Camps Bay.

Pôr-do-sol em Camps Bay


Mas surreal mesmo é a luz avermelhada do sol dessa hora do dia refletindo nos 12 apóstolos, simplesmente sensacional, valeu muito a pena a espera abaixo de um vento cortante mas, assim que o sol desapareceu no mar, já estávamos correndo pro ônibus para voltar para o hostel, e que alívio foi entrar no ônibus e estar num lugar onde não estivesse ventando hehehe.

Cenário surreal!


Chegando no hostel, tomamos um merecido banho quente e fomos dar uma volta na Long Street, aproveitar a última noite na Cidade do Cabo. Dessa vez, traumatizado com o frio que passamos à tarde, peguei um casaquinho de lã da Juju emprestado e vesti por baixo do casaco para sair à noite.

Tou ridículo mas tou quentinho

Apesar de fim de semana, novamente a Long Street estava deserta, somente com movimento dentro dos bares. Novamente ficamos naquele dilema de escolher onde entrar e no fim optamos novamente pelo restaurante chinês/indiano, já que realmente era o que tinha as comidas mais baratas e fartas da rua mesmo. Ah, outra coisa que estranhamos é que não encontramos, nessa região, comidas de rua, coisa que é sempre bem comum em bairros boêmios. Nem uma barraquinha de cachorro-quente sequer!

Depois de alimentados, voltamos pro hostel, ficamos um pouco na área comum vendo o movimento e depois nos recolhemos, no outro dia começaríamos a nossa Garden Route!

Como deu pra perceber, a Cidade do Cabo é aqueles destinos turísticos que você pode voltar quantas vezes quiser que sempre terá uma atração nova para conhecer ou alguma atividade nova para fazer. Nossos 5 dias que acabaram virando 4 foi o suficiente só para ver como a cidade é linda, mas não deu pra conhecer ela mais à fundo como ela merece. Já estamos ansiosos para voltar um dia!

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